O ano era 1904. A Revolta da Vacina eclodia no Estado do Rio de Janeiro, após uma campanha de vacinação obrigatória ser colocada em prática, imposta pelo Governo Federal. Nesse mesmo ano, finaliza o impasse entre o Brasil e a Inglaterra pelo território onde hoje está localizado o Estado de Roraima. Também foi nesse ano que nasceu a mulher mais velha do Brasil, Maria Rosa de Jesus, no dia 30 de Janeiro, em uma pequena cidade do interior do Estado do Ceará.
Natural de Viçosa do Ceará, município localizado na Serra da Ibiapaba, dona Maria Rosa saiu de sua cidade natal durante a grande seca de 1915 e seguiu junto com a família para o pequeno vilarejo de Santa Luzia do Tide, no Maranhão, que posteriormente transformou-se no município de Santa Luzia, onde dona Maria Rosa instalou residência e morou com o marido e os filhos. Devido às péssimas condições financeiras da época, a família fez a viagem a pé, levando tudo que tinham em um jumento.
No Maranhão, a cearense criou os filhos e trabalhou como lavadora, enquanto o marido tomava de conta da roça que trazia o sustento para a família. No entanto, no ano de 1968, devido a problemas familiares, a matriarca da família separou-se do marido e decidiu deixar o Maranhão, vindo para Teresina tentar começar uma nova vida. 
Já na capital piauiense, dona Maria Rosa mudou-se para uma pequena casa no bairro Lourival Parente, na zona Sul de Teresina. Nesse local, a matriarca cuidou dos filhos e criou alguns dos netos. Ao todo, são 15 filhos e incontáveis netos e bisnetos espalhados pelo país. É o que relata o neto de Dona Maria Rosa, o moto taxista Francisco Daniel Pereira de Brandão, de 43 anos. 
No seu relato, o neto de dona Maria Rosa não esconde a admiração que sente pela avó. Francisco Daniel conta que, mesmo com uma família grande e já com a idade avançada,  a dona de casa sempre cuidou dos filhos e até mesmo dos netos. “Ela que me criou, foi minha mãe e meu pai, porque minha mãe vivia trabalhando e pai mesmo eu nunca tive. Ela ajudou a criar eu e o meu irmão e alguns dos meus primos que já foram embora”, diz o moto taxista, fazendo referência aos netos que dona Maria tem espalhados pelo Brasil.
Dos 15 filhos, alguns já faleceram. O moto taxista não sabe precisar quantos ainda estão vivos, mas afirma que o primeiro a falecer foi o primogênito da família. “Acho que tem uns 10 ou 9 filhos vivos. O filho mais velho tinha Síndrome de Down e acabou morrendo cedo. Depois dele, tenho um tio que tem 84 anos e ainda está vivo”, diz Francisco Daniel.
Após vir para Teresina, dona Maria Rosa decidiu não casar novamente e viveu as últimas décadas em função da família. Atualmente com 114 anos, completados nesta Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018, a mãe da família Jesus não reconhece mais a família e retornou à infância. O neto virou pai e as bonecas que brinca viraram um dos passatempos da idosa, que agora age como uma menina que vive há mais de um século.

Pessoas mais velhas do mundo
Ganhou repercussão na imprensa nacional e internacional, nesta Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018,  a notícia sobre a morte do homem mais velho do mundo, o espanhol Francisco Núñez Olivera, de 113 anos. No entanto, de acordo com o Grupo de Pesquisa Gerontológica, que produz um ranking de supercentenários, a japonesa Nabi Tajima, de 117 anos, ocupa o primeiro lugar como a pessoa mais antiga do mundo. Chiyo Miyako, também japonesa, de 116 anos, está em segundo lugar. Maria Rosa de Jesus, portanto, pode ser a pessoa mais antiga do Brasil e a terceira mulher mais velha do mundo.
(*) Matéria publicada originalmente no portal O Dia, de Teresina, de autoria da jornalista Nathalia Amaral. Fotos: Ednaldo Rodrigues.
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