Mais de 100 redações produzidas ao longo do ano, pelo menos três a cada semana, serviram de treino para a estudante Isabella Castelo Branco, 17 anos (foto acima), alcançar a nota máxima da redação do Enem 2017. A jovem de família de Barras-PI foi uma das 53 pessoas no Brasil que tiraram 1000 nessa prova.
Para abordar o tema proposto pelo Enem - “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil" -, Isabella usou referências filosóficas e machadianas. “Eu fiz uma relação com a obra de Machado de Assis, com a forma como o personagem Brás Cubas, no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, trata a sua amante com deficiência. Ele fala dela com desdém e isso é o reflexo de como as pessoas deficientes são tratadas até hoje”, afirma a adolescente.
Para alcançar tal capacidade reflexiva, Isabella destaca que sempre gostou muito de ler. “No ano do Enem, mesmo com pouco tempo, eu lia muito. Sempre gostei, mas para a prova eu priorizei os clássicos da literatura brasileira, textos sobre os autores ou obras de filosofia, porque é muito útil para produzir a redação”, revela.
Assim que o MEC liberou as notas, a ansiedade de Isabella pela de redação era maior do que pelas demais disciplinas. “Eu fiquei toda me tremendo e nem conseguia acreditar. Chamei a minha irmã pra ela conferir se estava mesmo certo e se eu tinha tirado 1000”, conta.
A aluna de escola particular disse que pretende entrar para o curso de medicina na Universidade Federal do Piauí ou na Universidade Estadual do Piauí.

Escola pública
A aluna da Escola Estadual Didácio Silva, de Teresina, Elaícy Maria Gomes Grangeiro, de 17 anos, também conseguiu uma ótima nota na redação do Enem 2017. Essa foi a segunda vez que ela fez a prova e melhorou em 50% o resultado. No ano de 2016, a sua nota foi 640, e agora subiu para 960.
A explicação, segundo a jovem, é o gosto pela leitura e o suporte dado pela escola. “A gente teve revisões, tarefas extras, reforço e o incentivo à leitura”, declarou Elaícy, que estava preparada para receber uma boa nota, mas não esperava que fosse tão alta.
No texto, ela defendeu a ideia de acessibilidade nas escolas e a disponibilização de materiais didáticos mais eficazes para os surdos.
Com o resultado positivo no Enem, a jovem esperava entrar no curso de Direito. “Eu queria estudar na Ufpi, mas como vou embora para Tocantins, vou tentar entrar na federal de lá”, conclui Elaícy.
(*) Nayara Felizardo, O Dia
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