Nascia VOVÓ SINHARA (Zulmira Monte e Silva) no crepúsculo da era de 1800 na Fazenda Olho d’Água, no interior do município de Barras do Marathaoan - Piauí.


De herança dividida entre entre ela e sua irmã Maroca Monte ganhou a Lagoa Seca e sítios associados tais como: Olho D’Água, Buriti, Canas, Lameirão, Carnaubinha, Audiência, Ovo d’Ema e Pernas Alvas.

Pernas Alvas, Buriti e Carnaubinha eram áreas apropriadas ao cultivo de cana-de-açúcar e fabrico de rapaduras nas famosas moagens.

O Lameirão uma das áreas mais férteis da Família Sinhara Monte era administrada pela Família do Seu Firmino Eduvirges casado com Dona Esmelinda que originou muita gente: Veridiano, Gonçalo, Manoel, João, Sebastião, Zé, Maria dos Navegantes, Maria Milinda e Maria Domingas. Ali se plantava de um tudo: mandioca, milho, arroz e frutas de toda natureza. Água com fartura jorrava de olhos d’água e cacimbas.

Vovó me dizia: “meu filho, este povo do Lameirão era cativo da minha mãe (Iaiá Rosa) que foram libertos pela Lei Áurea e que por livre vontade decidiu ficar morando no mesmo lugar pelo tratamento humano que sempre dispensamos a ele.
Seu Firmino era especialista no fabrico de farinha e sempre era requisitado com tal finalidade por toda aquela redondeza. Sua honestidade, sua firmeza de caráter, sua responsabilidade na administração do Lameirão e de sua família foram o suficiente para ganhar respeito de todo aquele povo. Era um grande líder de uma comunidade bem povoada, quase toda por parentes e aderentes.
Dos seus filhos moraram na casa da Vovó Sinhara, na Lagoa Seca e em Barras, o Gonçalo e o Manoel Firmino. Sim, eram funcionários, mas por serem da nossa idade, convivíamos em união de uma mesma juventude, éramos amigos e fazíamos uma família só.
O tempo se encarregou de botar cada um para um lado. Viemos para Teresina, Gonçalão foi para Brasília, Manoel Firmino veio para Barras e alguns ainda hoje moram no Lameirão. Hoje, parte dos familiares, mora em Brasília sob comando do Firmino Learte.
Amanhã cedo saio de Teresina e volto ao Lameirão e serei recebido pelo Manoel Firmino, meu compadre. Lá vou dormir. Eu e o Francy Monte. Reencontrar o começo. Reencontrar esse povo. Relembrar fatos. Viver de novo emoções. Sorrir e chorar. Ser feliz.
Aí vou eu.
(*) Manoel Monte Filho, imortal da Academia de Letras do Vale do Longá - ALVAL












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