O município de Esperantina situado na microrregião do Baixo Parnaíba Piauiense, distante 180km da capital do estado do Piauí, Teresina. Tem uma área de 911,20km² com uma população de 37.767 habitantes (IBGE- Censo de 2010).
Retiro da Boa Esperança, como era conhecido, foi desmembrado de Barras através do Decreto Lei Estadual nº 970 de 25 de junho de 1920. No dia 28 de setembro do mesmo ano foi instalado oficialmente o município, passando a ter autonomia própria, sendo administrado pelos poderes executivo, legislativo e judiciário. O recém criado município passou a chamar-se Boa Esperança, e somente em 30 de dezembro de 1943 foi denominado Esperantina, em homenagem à padroeira Nossa Senhora da Boa Esperança.
Até pouco mais da metade do século XX era comum encontrar grupos nômades (ciganos) por todo território brasileiro. Próximo ao Peixe (Nossa Senhora dos Remédios) e Marruás (Porto) um grupo de aproximadamente 200 ciganos cometiam alguns delitos. Estes foram denunciados para o governador do estado, Miguel de Paiva Rosa, que imediatamente destacou uma volante policial para expulsá-los do Estado. Na manhã do dia 11 de novembro de 1913 os ciganos dirigiram-se rumo ao povoado Retiro da Boa Esperança. Na localidade Tucuns foram alcançados pelos policiais e fugiram em disparada: os homens a pé, as mulheres e crianças montadas nos animais (burros e cavalos). O clamor era geral!
No lugar conhecido como Pequizeiro da Areia um ciganinho de nome Roldão com mais ou menos 07 anos de idade caiu do animal e ficou para trás. A criança apavorada subiu em uma árvore (jatobá) e ali ficou em profundo silêncio, rogando a Deus para salvar sua vida. Os policiais ao passar pelo local avistaram o inocente no galho da árvore. Não teve perdão! Atiraram “fogo” por diversas vezes. O corpo caiu no chão jorrando sangue, e em seguida foi degolado. No galho do jatobá ficou enganchado parte de sua roupa. O vaqueiro Manoel Quaresma encontrou o corpo, velou-o na sua casa nos Tucuns e no dia seguinte sepultou no mesmo lugar da brutal tragédia.
No largo da capelinha do povoado os ciganos foram “cercados” pelos policiais, onde houve um intenso tiroteio, tendo como resultado vários nômades mortos.
Nos anos de 1915, 1916 e 1917, o povoado Retiro da Boa Esperança foi acometido por uma trágica epidemia que quase o dizimou. As pessoas doentes apresentavam os seguintes sintomas: mãos e pés de cor amarelada, febre alta, vômito de cor preta e feridas na gengiva. A morte era inevitável!
Os familiares dos enfermos apelavam pra tudo: remédio caseiro, respirar o bafo do gado e promessas. O escultor Cristiano Melo apelou para São Sebastião erradicar a doença. Populares lembraram do ciganinho e fizeram promessas para que a epidemia parasse.
Desde 1917 o povo de Esperantina festeja São Sebastião e tem devoção ao ciganinho.

"Ajude-nos a empiçarrar a frente do Santuário, concluir a casa dos milagres e o calçadão, e construir o muro do cemitério. Pela fé recebemos o milagre!" (Professor Bernardo Augusto Rocha, Maio de 2017)
Como chegar ao SANTUÁRIO DO CIGANINHO MILAGROSO?
Da zona urbana de Esperantina até o Santuário são 6km. Partindo da Praça Leônidas Melo você percorre a Avenida Bernardo Bezerra, passa pelo Bairro Carraspanha, pela Localidade Furna da Onça, chegando ao Pequizeiro da Areia, onde está situado o Santuário/Cemitério.
(*)  Texto e fotos: professor Bernardo Augusto Rocha, especial para o Tribuna de Barras


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