Um dos maiores representantes da literatura piauiense completaria 100 anos se vivo estivesse no próximo dia 22. Trata-se de Júlio Romão da Silva, que receberá da Academia Piauiense de Letras uma homenagem neste Sábado, 13 de Maio de 2017, com lançamento do livro "Índios e Afrodescendentes", organizado e atualizado por Nelson Nery Costa, presidente da APL. Além desta obra, a entidade lança outras duas: Pequena História do Piauí, de José Camillo da Silveira Filho; e Cancioneiro Geral (1920 - 1976), de Martins Napoleão. As três integram a Coleção Centenário, um dos maiores projetos editoriais já executados no país. 
O piauiense Júlio Romão é considerado o fundador do Teatro Negro, participando das discussões para o seu surgimento. Destacou-se por sua concepção de que a realidade social dos afrodescendentes era diferente da disseminada pela elite branca. Ele acreditava que havia outra identidade e outro sentimento social a ser buscado. Seu principal trabalho reconhecido nacionalmente foi no teatro. Foi premiado duas vezes com o prêmio Cláudio de Sousa da Academia Brasileira de Letras, com José o Vidente ou as Videiras do Faraó e com A Mensagem do Salmo, ambas do seu teatro religioso. 
"Júlio Romão era um ser especial, que praticamente viveu para a arte e pela arte. Quase sempre sem dinheiro, logo dava um jeito de conseguir ajuda ou um apoio, pois exalava simpatia e carisma. Era difícil lhe dizer não, porque cativava no primeiro olhar. Se lhe fosse permitido falar, então, era impossível não ser seduzido pelas narrações engraçadas, eruditas e vivazes. De alguém que viveu uma época e sobre ela tinha muito a dizer e, não só isto, dispunha-se a refletir sobre o presente e também emitir opiniões interessantes e objetivas. Foi uma pessoa além do seu tempo e do seu mundo social, pois transcendeu o Piauí e deixou uma obra de teatro reconhecida nacionalmente pela sua importância.", destacou Nelson Nery Costa no prefácio da obra. 
Do poeta Benedito Martins Napoleão do Rego, a APL lança seu Cancioneiro Geral (1920 - 1976). Assim como Júlio Romão, a importância da obra de Martins Napoleão transcende o território piauiense. O poeta de União ocupou cargos no magistério e na magistratura e chegou a assessor jurídico da Casa da Moeda. 
"A poesia piauiense foi consolidada com a obra de Martins Napoleão, que deu consistência e profundidade ao poema. O autor acabou residindo no Rio de Janeiro, então Capital Federal, e assim suas obras transcenderam ao Piauí. A literatura piauiense foi bem maior com o legado que ele deixou em suas publicações poéticas. A obra dele teve mais caráter nacional do que piauiense, o que não lhe diminuiu, mas lhe ofereceu um patamar superior na literatura brasileira. Ele foi o segundo ocupante da Cadeira nº 11, na Academia Piauiense de Letras, substituindo Abdias da Costa Neves. Ao assumir a Presidência da APL, entre 1943 e 1946, sucedeu Higino Cunha e representou a força dos então jovens escritores substituindo a velha guarda", descreveu Nelson Nery.
Também será lançada a obra Pequena História do Piauí, de José Camillo da Silveira Filho, uma das grandes personalidades da história do Estado, prefaciada por seu filho Charles Camillo da Silveira. 
"José Camillo da Silveira Filho, por seu bom humor e por sua irreverência, teve a si atribuídas muitas histórias, algumas verídias, outras infundadas, mas todas, sem sombra de dúvidas, realçando, de alguma forma, suas excepcionais qualidades de pessoa generosa, de grande educador ou de exemplar cidadão. Não vou contar nenhuma delas, mas apenas dizer que foi um pai amantíssimo, um político digno, um professor cativante, um prosador simpático e um homem que deixou um legado de atos, de gestos e de amor pelo Piauí, que tão bem soube retratar na presente obra", afirmou Charles Camillo da Silveira.
A solenidade de lançamento das obras e homenagem a Júlio Romão acontecerá neste sábado (13), a partir das 10h, na sede da Academia Piauiense de Letras.

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