Levantar, tomar café, chegar. Papeis, reuniões, telefonemas. Engolir, correr, chegar de novo. Postes, cruzetas e cabos. Voltar, engolir, descansar. Pensar na rotina que se leva inevitavelmente evoca aquele sentimento de Tempos Modernos (1936), o clássico de Chaplin: de que não passamos de máquinas humanas que agem num movimento perpétuo na grande engrenagem do trabalho. Mas às vezes o destino prega peças, criando situações onde só o “cumprir com a obrigação” não basta. Os colaboradores da regional Metropolitana da Eletrobras Distribuição Piauí em Barras são testemunhas disso.


Semanas atrás, uma equipe composta pelos eletricistas Alex Marciel e Carleane estava em mais um dia comum de trabalho, cumprindo uma ordem de corte por falta de pagamento. Ao chegarem ao endereço, qual não foi a sua intensa e comovente surpresa: a unidade consumidora era uma humilde casa de taipa e teto de palha, onde moram três irmãs, Antônia Maria, Maria Cláudia e Teresinha Pereira da Silva, e seus 17 filhos (!) no total, com idades variando de dois meses a 11 anos. Apesar das nítidas dificuldades financeiras da família, os eletricistas tiveram de cumprir sua ordem de serviço, mas não esqueceram o que viram.

Antônia Maria e as irmãs não se deixaram abalar, tampouco recorreram ao crime para reaver o fornecimento de energia, provando que nem a pobreza não é desculpa para desonestidade. Venderam carvão, pequi, juntaram as economias, quitaram a dívida e pediram a religação. A equipe voltou à residência para efetuar o serviço com satisfação, mas ao chegarem lá, não conseguiram segurar a emoção quando viram as crianças tendo apenas arroz branco para se alimentar. Algo precisava ser feito, algo além das obrigações, além de ferramentas e procedimentos, algo humano.

Assim, Alex e Carleane espalharam a história da família entre os demais colegas, que se uniram numa corrente do bem, arrecadando alimentos, artigos de higiene pessoal, roupas e até brinquedos. Juntos, entregaram as doações a família, que foi só alegria com esse ato de solidariedade. Joel Moura, um dos elos da corrente, fez questão de contatar a Assessoria de Comunicação e Relações Institucionais para divulgar esta ação e revela como este episódio o deixou impressionado: “O que mais chamou atenção da equipe foi ver a felicidade das crianças, que ao invés de estarem felizes com os brinquedos, comemoraram receber tanto alimento. Coisas que nunca imaginaram comer”.

O que a experiência do pessoal da regional Metropolitana com a família das irmãs Pereira da Silva ensina é que, mesmo diante das atribulações e (às vezes) da mesmice do dia a dia, nada disso se traduz em indiferença pelo sentimento alheio. Torna-se indiferente quem se permitir ser. Que reconhecer uma situação extraordinária e ir além do que manda o protocolo é sim válido. Não se trata autopromoção ou exortação religiosa, mas de empatia por outro que tal qual você sente fome, frio e, por que não, a falta de uma mão amiga. Além do mais, fazer o bem só traz o bem. Isso, entre outras coisas, nos torna humanos. 

(*) Assessoria de Comunicação Eletrobras/Piauí



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