A família de Bianca Rodrigues, de 15 anos, está aflita por conta do estado de saúde da jovem. Bianca é natural da cidade de Picos, cidade do centro-sul do Piauí e está internada há dois meses no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Médicos suspeitam de uma doença rara que acomete o sistema nervoso. A mãe reclama da falta de estrutura e acompanhamento médico no HUT. 


De acordo com a mãe da jovem, Cleidenir Rodrigues, após cinco dias com fortes dores de cabeça, Bianca começou a sentir dificuldades para comer e dormir. “Levamos ela no Hospital de Picos e lá disseram que era uma enxaqueca, deram medicações e foi liberada. Mas a dor não passou e tivemos que voltar, lá falaram que poderiam ser até problema psiquiátrico, só que ela desmaiou e foi encaminhada para o HUT. Minha filha ficou internada dois meses na UTI do HUT e quando ela saiu, a situação dela piorou porque ela pegou uma bactéria de lá”, disse.
Ainda segundo Dona Cleidenir, Bianca foi submetida por exames de meningite e encefalite. Todos com resultados negativos. “Os médicos disseram pra gente que ainda não há diagnóstico. E a gente está aqui aguardando informações sobre o tratamento. Ela não está sendo acompanhada por nenhum neurologista, só vem enfermeira aqui pra dar medicações, não falam nada sobre a situação dela e só estão dando medicações por causa da febre que ela tem. Além disso, ela sofre espasmos, não fala, não tem memória. Ela não controla o corpo dela”, completou.
Campanha nas redes sociais
Sem informações sobre o diagnóstico da doença de Bianca, amigos e familiares criaram uma página “Ajude Bianca”. A campanha tem objetivo de arrecadar doações e custear a despesas do diagnóstico e tratamento da adolescente na cidade de São Paulo.
Página criada o Facebook visando ajudar a garota Bianca: https://www.facebook.com/ajudebianca/
NOTA DA DIREÇÃO DO HUT 
A paciente Bianca Karen Leal Rodrigues, 16 anos, foi admitida no HUT no dia 29 de outubro de 2016 com história de movimentação involuntária e rebaixamento do nível de consciência, crises convulsivas, cefaleia e alteração de comportamento. Desde o início foi acompanhada pela equipe da medicina intensiva e neurologia clínica com a solicitação de exames para investigação diagnóstica. Inicialmente foi imediatamente tratada e investigada para encefalites virais devido a elevada morbimortalidade da doença. Coletado liquor e enviado para isolamento viral (resultados ainda em andamento). Foi investigado ainda doenças degenerativas (ex: Doença de Wilson), vasculite (ex: lúpus) e doenças infecto contagiosas, todas com resultados negativos.
Pela não melhora e possibilidade de encefalite anti NMDAR, foi iniciada pulsoterapia com corticoide e subsequente com imunoglobulina humana e posterior estabilização do quadro. Associado a isso foi prescrito e otimizado terapia anticonvulsiva para retirada da sedação. Hoje a paciente encontra-se em tratamento de reabilitação multiprofisisonal.
Durante a evolução a paciente teve como intercorrências crises convulsivas e pneumonia hospitalar com a introdução de pronto e agressivo tratamento para controle. Foi submetida à traqueostomia para facilitação da retirada da ventilação mecânica invasiva. Teve alta da UTI com dieta por sonda enteral, traqueostomizada e sem úlceras por pressão.
O HUT é um hospital de urgência, porém independente do fato realizou toda investigação diagnóstica e terapêutica como preconizada pela literatura médica. Após alta da UTI foi solicitado, via regulação de leitos do estado do Piauí, encaminhamento para o Hospital Universitário no dia 30 de dezembro de 2016. Contudo, a vaga não foi disponibilizada, pois a paciente é menor de idade. A vaga cedida foi para o Hospital Natan Portela, para onde foi encaminhada dia 04 de janeiro de 2017 e lá chegando mandaram Bianca retornar para o HUT, pois não tinha perfil para ser atendida no referido hospital. Diante disso o HUT realizou uma nova tentativa de regulação, desta vez para o Hospital Getúlio Vargas, no dia 06 de janeiro de 2017, mas até o momento sem resposta.
A encefalite é uma inflamação do cérebro que pode ocorrer por várias causas: infecciosas, neoplásicas e auto imunes. A paciente foi tratada para causas infecciosas, após ser descartado causas neoplásicas e algumas causas auto imunes, restando a encefalite anti NMDAR, que é um diagnóstico de exclusão.
Com relação ao encaminhamento de Bianca para outro estado, o anticorpo anti NMDAR poderá ser realizado retirando o liquor da paciente e encaminhado para um hospital de referência. Quanto ao tratamento preconizado foi feito corticoide e imunoglobulina.  
(*) Matéria originalmente publicada no Portal AZ, de autoria de Letícia Gonzaga

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