A  família Pires Lages de Barras do Marataoã, um dos grupos familiares pioneiros na ocupação do Norte Piauiense, é o tema do livro Alfredo e Rosa e a Descendência da Esperança, de autoria de Maria do Socorro Lages Gonçalves, cujo lançamento acontece nesta quinta-feira, 22, em encontro familiar, em buffer de Teresina.
Em 140 páginas, a obra é uma homenagem ao avô, o coronel Alfredo Pires Lages, um dos mais ativos e prósperos líderes agropastoris do Piauí na primeira metade do século XX, e à avó, Rosa Rebêlo do Rêgo. Ao contar o cotidiano do avô, a partir da memória de seus descendentes e do espaço físico em que ele viveu, Maria do Socorro Lages Gonçalves reconstrói um pedaço significativo da história da cidade de Barras quando a região era fortemente influenciada pelas antigas fazendas.
Mais que um livro de memórias e de reunião de informações genealógicas, a obra adquire um sentido coletivo ao fornecer um rico painel das famílias que entrelaçadas por laços matrimoniais formam a origem desse que é um dos mais antigos assentamentos humanos do Norte piauiense. Para contar a história de seus avôs, ela percorre a origem dos Lages, dos Rêgo, dos Castello Branco, dos Pires Ferreira, dos Carvalho de Almeida, dos Borges Leal, dos Gomes Rebêlo, uma só gente unida em casamentos sucedâneos.
Alfredo e Rosa e a Descendência da Esperança (a família Pires Lages de Barras do Marataoã) concentra-se principalmente na história da Fazenda Esperança, na Zona da Mata barrense, que pertenceu inicialmente a José Pires Ferreira Neto – também proprietário, entre outras fazendas, da antiga propriedade Boa Esperança, hoje Esperantina. Era sua primeira esposa Maria Joaquina de Jesus Carvalho de Almeida Castello Branco,de quem descende Alfredo Pires Lages, sendo ela uma das filhas de José Carvalho de Almeida, construtor da antiga igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição das Barras do Marataoã, figura de relevo na elevação de Barras à categoria de vila; também pai de Veneranda Francisca Carvalho de Almeida, da qual esse braço da família Pires Lages também descende pelo ramo de Rosa Rebêlo do Rêgo.

O editor do Tribuna de Barras, Reinaldo Barros Torres, também integra a família Rego Castelo Branco e Rodrigues Lages. A avó de Olavo Ribeiro Torres (avô paterno de Reinaldo Barros Torres), Rosa Florinda Rodrigues, era irmã do Coronel Manoel Rodrigues Lages, pai do Coronel Alfredo Pires Lages, em torno de quem gira o livro lançado. Rosa Florinda Rodrigues era neta de Joaquim José do Rego, proprietário da Fazenda Peixão, casado em segundas nupcias com Rosa Florinda Castelo Branco. Rosa Florinda Rodrigues (a filha) era um dos rebentos do Coronel José Antônio Rodrigues, primeiro presidente do Conselho Colonial da Vila de Barras do Marataoã, instalada em 1842. Toda a Família Torres da cidade de Nossa Senhora dos Remédios é um braço das famílias Rodrigues Lages, Rego Castelo Branco, Borges Leal e Carvalho de Almeida. Não descende porem dos Pires Ferreira.
Foi a localidade Esperança dote de casamento de Maria da Assumpção Pires Ferreira e Manuel Rodrigues Lages. A fazenda, um dos berços dessa família, exerceu notável influência na vida de Barras ao longo de sua história, revelando figuras notáveis em variadas atividades humanas, na vida do município. O livro destaca, principalmente, as décadas de 1930 e 1940, quando as atividades comerciais exercidas pelo coronel Alfredo e pelo sobrinho Nelson Pires Alves determinaram valores e costumes na região. Traz ainda rica descrição da vida de costumes da propriedade nas décadas de 1950 e 1960. Detém-se a obra, também, em catalogar toda a descendência de Alfredo e Rosa, constituída hoje em 767 descendentes.
Em prefácio sobre a obra, diz o historiador e romancista carioca de raízes piauienses Gilberto de Abreu Sodré Carvalho: “É um importante trabalho de memorialística. É uma coleta de narrativas de descendentes, de levantamentos genealógicos, de cartas antigas e de fotografias que remetem às pessoas e aos cenários históricos. Maria do Socorro Lages cumpre de forma irretocável, a recuperação do passado em que Barras do Marataoã e o Piauí são o pano de fundo. Fiquei feliz com o resultado de conteúdo e de edição do trabalho. Tudo nele me traz, como por encanto, inteira, a Barras de que ouvi falar aos pedaços na casa de meu pai”.
O livro é o número 10 da Coleção século XXI, da Academia Piauiense de Letras. Este selo editorial, criado pela instituição recentemente, visa favorecer a circulação de livros de gêneros diversos de valor histórico e literário. “Essa nova coleção, que estamos denominando Coleção Século XXI, pretende contribuir com os novos autores, fazendo com que o público conheça o que há de novidade em termos de produção literária e historiográfica local”, diz o presidente Nelson Nery. Alfredo e Rosa e a Descendência da Esperança (a família Pires Lages de Barras do Marataoã) será lançado também em solenidade na Academia Piauiense de Letras no primeiro semestre de 2017 e se encontra à venda na sede da instituição.

A AUTORA – Maria do Socorro Lages Gonçalves é natural de Parnaíba. Cursou administração de empresa na UFPI. Funcionária aposentada do INSS, exerceu o magistério no SENAI-PI e na Escola Técnica Federal do Piauí. Reside em Teresina. Para a escritura da obra, contou com a ativa participação de Dílson Lages Monteiro, Maria da Conceição Pires Rosas,  Maria do Socorro Lages Gonçalves, Luzia Maria Lages Fortes Portela, Maria das Graças Lages Nogueira, Isaura Pires Lages da Silveira, Teresinha de Jesus Lages Moreira, Conceição de Maria Lages Gonçalves Bessa, Rosa Maria Monte Lages e Duse Maria Rebêlo Lages da Silveira.

Fazenda Descuido, em Nossa Senhora dos Remédios-PI, berço da família Rodrigues Lages do Piauí
Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, construída por Joaquim José do Rêgo, um dos antepassados dos Pires Lages, na cidade de Nossa Senhora do Remédios-PI

Reações:

Postar um comentário

 
Top