O Raio-X Bolsa Família divulgado nesta sexta-feira (11), pelo Ministério Público Federal (MPF), identificou 28.857 perfis suspeitos de receber o auxílio no Piauí. Isso representa 4,46% do total investigado pelo órgão. Ao todo foram pagos R$ 119 milhões a esses beneficiários. De acordo com o MPF, foram encontradas irregularidades em praticamente todos os municípios piauienses. 
A maioria dos perfis suspeitos no Estado são servidores públicos, 60,63%. A eles foram pagos R$ 72 milhões. Em seguida estão empresários com 37,20% e R$ 44 milhões pagos. Há ainda servidores doadores com 1,44% e R$ 1,7 milhão pagos. Benefícios destinados a falecidos somaram R$ 568 mil.
Entre os municípios, Baixa Grande do Ribeiro lidera o ranking estadual de pagamentos suspeitos. São 12,74% dos beneficiários, o que representa R$1.650.061,00 em pagamentos. É o 45º índice no cenário nacional. Em seguida aparece Canavieira com 10,37% beneficiários suspeitos e R$670.859,00 pagos. São Félix do Piauí  ficou em 3º lugar no Piauí R$ 365.115,00 pagos a  9,65% de benefícios considerados suspeitos.
O diagnóstico sobre o maior programa de transferência de renda do governo federal, assim como as ações propostas e os resultados alcançados estão disponíveis no site www.raioxbolsafamilia.mpf.mp.br Nele, o cidadão poderá acessar a versão interativa da ferramenta de inteligência desenvolvida pelo MPF e filtrar os dados selecionando a(s) unidade(s) da federação e município(s) que desejar.
O MPF expediu recomendações a 4.703 prefeituras para que realizem visitas domiciliares a mais de 870 mil beneficiários do programa Bolsa Família suspeitos de não cumprir os requisitos econômicos estabelecidos pelo governo federal para recebimento do benefício.  Segundo o Raio-X Bolsa Família, os pagamentos a perfis suspeitos de irregularidades totalizam mais de R$ 3,3 bilhões. 
As recomendações foram expedidas em todo o país no período de julho a setembro deste ano, com prazo de 60 a 120 dias para que os gestores municipais informassem o número de irregularidades confirmadas e de benefícios cancelados. As respostas às recomendações ainda estão sendo recebidas e processadas pelo MPF.
Os casos suspeitos foram identificados por meio de ferramenta de inteligência desenvolvida pelo Ministério Público Federal a partir do cruzamento de dados públicos fornecidos pelo próprio Governo Federal, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Receita Federal e pelos Tribunais de Contas estaduais e municipais.
O diagnóstico apontou grupos de beneficiários com indicativos de renda incompatíveis com o perfil de pobreza ou extrema pobreza exigido pelas normas do programa. Os perfis suspeitos foram classificados em cinco grupos: falecidos; servidores públicos com clã familiar de até quatro pessoas; empresários; doadores de campanha; e servidores doadores de campanha (independentemente do número de membros do clã familiar).
(*) Hérlon Moraes (Com informações do MPF), Cidade Verde

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