Repórter Zan Viana entrevistando Carlos Monte, prefeito eleito de Barras
Eleito com 52.21% dos votos válidos, para governar o Município de Barras nos próximos 4 anos, o médico Carlos Alberto Lages Monte (PTB), esteve na sede do Sistema O Dia de Comunicação, em Teresina, e foi entrevistado pelo repórter Zan Viana. Na ocasião, o futuro gestor que derrotou o atual prefeito Edilson Sérvulo e um grupo formado por 5 ex-prefeitos, falou sobre a campanha acirrada que teve o município. Sobre o futuro de Barras, Carlos Monte diz ter muitos projetos e ações para realizar na terra do Rio Marathaoan. Confira a entrevista:
O Dia – O senhor tem uma carreira brilhante como médico, e ainda sim quis ser prefeito. O que o motivou a lançar sua candidatura?
Sempre me dediquei muito à minha cidade, passei um período fora, mas foi a época em que eu fui me formar em Fortaleza como médico, e depois retornei à minha terra... E estou lá, trabalhando há 36 anos, exercendo a minha profissão no cotidiano. Eu venho de uma família com certa traição política, que sempre foram envolvidos nas questões políticas e sempre gostei de me posicionar, sempre gostei de opinar... Então, acredito que pra você opinar ou falar das coisas, você precisa participar e se envolver no processo pra que você possa realmente conhecer, aquilo que você está planejando e pensando. Fui vereador por 4 mandatos e fui candidato a prefeito em 2012, mas perdi; e agora fui candidato novamente e obtive êxito.
O Dia – A que o senhor atribui o êxito, e essa vitória com 52,21% dos votos?
Vamos dizer que são muitos fatores, a minha história de vida, história profissional, história política... Este tempo todo, sempre defendendo a mesma posição, defendendo as mesmas ideias... Ideias claras e bem posicionadas, onde se valoriza aquilo que a nossa terra tem de melhor e com propostas que sejam de médio e longo prazo, não sendo apenas de imediatismo e pensando sempre na qualidade de vida dos barrenses. Além disso teve o desgaste do prefeito, que fez uma administração que deixou muito a desejar e caiu no descrédito da população e juntando a estes fatores, o próprio contexto nacional também, eu creio que colaborou com isso. Esse momento que vivemos de denúncias, desse caso “Lava Jato”, e eu que sempre tive uma vida de honestidade, de seriedade, ao contrário da atual gestão municipal que vinha sendo mal falada, que as pessoas não viam bem... Acho que uma parcela imensa da população compreendeu essa mensagem, de trazer mudanças. E como eu sempre disse na campanha, é mudar não apenas o nome, mas transformar a forma de fazer uma gestão e buscar o benefício para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
O Dia – O senhor falou muito em mudanças durante a sua campanha, que mudanças seriam essas que o senhor pretende realizar no município de Barras?
Quero começar a mudar a maneira da gestão, quero fazer uma administração planejada, onde se possa ver o que se quer, onde iremos buscar resultados, a forma como iremos buscar e principalmente naquilo que nossa população reclama muito. Barras, tem um sistema de saúde caótico, que é muito reclamado pela população... Para se ter uma ideia, em todas as pesquisas que fizemos, mais de 50% dos entrevistados colocam como a primeira opção de mudança a questão da saúde. Acho que precisamos melhorar muito os investimentos em saúde, a questão da educação... Não adianta eu lhe dizer que eu tenho 11 mil alunos matriculados, se eu não tenho a qualidade do ensino destes alunos... A cidade tem aluno na 5ª série que não sabe escrever o nome... Então eu acho que nós temos que trabalhar este contexto, de colocar o aluno na escola, mas também pensar nesta qualidade.
O Dia – O que o senhor considera que seja o maior desafio, para gerir o município?
Não tenho dúvidas de que o maior desafio será a saúde, pois é a grande reclamação da população. Creio que por eu ser um profissional da saúde, estando dentro do processo, sei que os recursos que a gente recebe do ministério precisam ser otimizados, se não for calculado e planejado a pessoa se perde no imediatismo, no improviso e não alcança aquele resultado desejado. Isso não quer dizer que outras coisas não sejam importantes, como a questão da ação social... Barras é uma cidade muito pobre, então nós temos que ver esse lado das pessoas mais carentes, é uma cidade que hoje possui uma deficiência monstruosa de infraestrutura, mobilidade urbana, esgotamento, qualidade da água... Então são muitos os desafios que nós vamos ter que enfrentar.
O Dia – O senhor acredita que a gestão que vai se encerrar pecou muito neste sentido?
Pecou sim, a gestão não tinha um pensamento definido, um foco... Ela ficou engatinhando atrás de uma coisa e de outra sem buscar realmente aquilo que é o que a população está precisando.
O Dia – Como o senhor pretende fazer pra administrar Barras em meio a esta crise que assola os municípios em todo o país?
Estamos pensando muito nisso, estamos preocupados com essa emenda que está vindo ai, pois uns dizem uma coisa e outros dizem outras... Mas só em congelar os recursos da forma que estão dizendo, já podemos imaginar as dificuldades que os municípios irão passar. Até mesmo porque está sendo congelado em um patamar inferior, então como é que eu quero ofertar mais serviços com os mesmos recursos? Então aí nós vamos ter que fazer enxugamentos e vamos ter que trabalhar a prioridade, e vamos ter que saber escolher a prioridade e trabalhar em cima dela... Ou seja iremos usar o pouco, pra produzir o máximo que pudermos em cima disso e em beneficio para a população.
O Dia – Como o senhor avalia a sua campanha e a sua vitória?
Veja bem, a minha campanha foi feita com muita dificuldade, a questão financeira e a questão de estrutura de campanha, a logística da campanha... Não foi fácil! Agora, eu consegui passar para a população aquilo que eles estavam esperando. Aquela mensagem de esperança, de fazer uma modificação, uma transformação na forma de administrar o município e para isso eu consegui atingir um objetivo muito forte que foi a conquista da nossa juventude. Eu tive um apoio muito importante da nossa juventude através de propostas concretas para fazer com que a juventude participe deste processo, então eu acho que isso ai contou bastante.
O Dia – Dr. Carlos, como é que o senhor vê Barras no contexto estadual?
Barras é conhecida como a Terra dos Governadores, como Terra dos Intelectuais e eu acho que perdeu muito disso... Tem 30 anos que o mesmo sistema político manda, esse sistema se deteriorou e as questões pessoais e individuais ficaram acima das questões do município, então o que devemos fazer é devolver o município para a sua população, que não fique restrita a grupos ou a vaidades pessoais. Queremos fazer um governo participativo, onde estaremos permanentemente junto com a população andando, conversando e fazendo aquilo que nós achamos que tem condição de oferecer qualidade de vida. Se você for gestor e você não puder melhorar a qualidade de vida da sua população, não fez o que deveria ter feito! E é isso que nós vamos fazer.
O Dia – Pra finalizar, gostaríamos que o senhor deixasse uma mensagem ao povo de Barras
A mensagem é um reflexo daquilo que já fizemos durante a campanha, uma mensagem de esperança, uma mensagem de trabalho, uma mensagem de coerência com aquilo que a gente fez a vida toda. Quero dizer, que sabemos das dificuldades, sabemos que vamos contrariar interesses, mas estamos firmes para fazer o possível para melhorar a qualidade de vida do povo de nossa terra.
(*) Edição: Geysa Silva
Por: Zan Viana, publicação original do Portal O Dia, de Teresina

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