O reconhecimento de refugiados da Venezuela está na iminência de provocar uma enxurrada, no Brasil, de pessoas que querem fugir do caos socioeconômico em seu país. O Conselho Nacional de Refugiados (Conare) diz que, nos últimos três anos, houve 2.238 pedidos de refúgio de venezuelanos (37% deles em Roraima).
– O maior número de pedidos de refúgio, nos últimos meses, é da Venezuela. Tem gente aqui no Estado também. Desde janeiro, são muitos que pedem. O conflito ainda não está reconhecido. Desde o ano passado, vem fermentando a questão da Venezuela. O que se está esperando? O estudo das Nações Unidas que estabeleça que determinado país, no caso a Venezuela, está mesmo com problemas – diz a representante do Acnur (braço das Nações Unidas para os refugiados) no Rio Grande do Sul, Karin Wapechowski.
País vive crise institucional, desabastecimento de 80% dos produtos básicos e inflação estimada em 720% para 2016.
No Brasil em geral e no Rio Grande do Sul em particular, acumulam-se pedidos de refúgios por parte de venezuelanos. Há desde médicos até estudantes que já estão no Estado e pedem a qualificação de refugiado.
– Estão bem caracterizadas as perseguições individuais na Venezuela, em sua maioria promovidas pelo Estado venezuelano. Isso justifica uma boa avaliação. Em tese, justifica o refúgio. Mas é muito delicado. Quando um país aceita o pedido de refúgio, quer dizer que aquele país de onde saem as pessoas não está sendo capaz de proteger seus cidadãos. Isso, diplomaticamente, é péssimo. No momento em que um país diz que outro não está bem, isso pode causar algum estremecimento diplomático – acrescenta Karin.
Na América Latina, os países têm pruridos diplomáticos ao caracterizar uns aos outros.
(*) Zero Hora

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