Em Agosto, o mundo viu o catarinense Gustavo Kuerten entrar no Maracanã com a chama olímpica. 
Menos de um mês depois, foi a vez do piauiense Antônio Delfino fazer o mesmo, com a chama paralímpica. 
Para nós, conterrâneos, não é pouco. Para Delfino, um justo reconhecimento. Uma honra para poucos, como ele. 
Delfino nasceu em Redenção do Gurgueia (PI) e tem 45 anos. Era adolescente quando trabalhava na lavoura e teve a mão esquerda amputada. Mais tarde, foi embora para Brasília (DF). Incentivado a correr, virou atleta e conquistou a prata nos 400 metros rasos em Sydney 2000. Quatro anos mais tarde, foi ouro nos 200 e 400 metros, com direito a recorde mundial.
É o maior atleta paralímpico piauiense da história. E reconhecido no meio esportivo como um dos mais importantes do país até hoje. Não foi escolhido por acaso. 
Talvez fosse isso o que faltasse para que o nome de Delfino fosse eternizado no mundo do esporte. E assim, quem sabe, mais reconhecido por piauienses e brasileiros. 
A cerimônia de abertura, na noite desta quarta-feira (7), teve muitos momentos marcantes. Delfino passou a tocha para Márcia Malsar, primeiro grande nome entre atletas paralímpicos no Brasil. Ela caiu no percurso, se levantou e prosseguiu, aplaudida de pé. Depois vieram outros monstros do esporte: Ádria dos Santos, também do atletismo, e o nadador potiguar Clodoaldo Silva, que acendeu a pira dando uma lição sobre acessibilidade. 
Mas fui dormir pensando na emoção de Delfino, que enxugava as lágrimas em meio a chuva no Maracanã. Correu os metros mais importantes de sua vida, de corpo e alma lavados.
Costumo dizer que toda homenagem para nossos atletas é pouco. Hoje fiquei satisfeito. O piauiense Antônio Delfino foi alçado ao posto que merece. Que ele sirva de exemplo para todo o país, em especial o Piauí, que ainda precisa tratar melhor seus atletas. 

(*) Texto: Fábio Lima, Cidade Verde



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