Nem bem esquentou a nova cadeira, o governo inteirino de Michel Temer já está fazendo com que os economistas revejam suas contas para a economia brasileira. O Bank of America Merrill Lynch (BofA) e o Credit Suisse melhoraram as suas projeções econômicas tanto para 2016 quanto para 2017.
“Prevemos um novo cenário macroeconômico sob o presidente interino Michel Temer, uma vez que esperamos que a sua administração tenha mais apoio no Congresso, dado os votos a favor do impeachment em ambas as casas”, diz a equipe de análise econômica do BofA em relatório desta sexta-feira (13).
O banco americano manteve a previsão de contração do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,5% para este ano, mas melhorou a expectativa para o ano que vem de crescimento de 0,8% para avanço de 1,5%.
Já o Credit Suisse revisou sua projeção inclusive de 2016 para o PIB, que passou de contração de 4,2% para queda de 3,8%. Para o ano que vem, a estimativa melhorou de retração de 1% para crescimento de 0,5%.
Ambos os bancos explicam a melhora das projeções para 2017 com a expectativa de aumento dos níveis de investimento do país.
Liderados por Nilson Teixeira, os economistas do Credit avaliam que a contração da demanda interna é a principal causa da atual recessão e que o setor externo continuará dando uma contribuição positiva para a dinâmica do PIB. O banco suíço avalia que a coordenação política será crucial para a reversão do cenário econômico.
“A reversão do cenário adverso exige a aprovação pelo Congresso de projetos de lei relacionados à Previdência, ao mercado de trabalho e ao sistema fiscal; ações para aumentar a produtividade da economia; e medidas de emergência para reduzir o déficit primário no curto prazo, englobando cortes de gastos, redução de benefícios fiscais e aumentos de impostos”, afirma a equipe de economistas em relatório divulgado ontem.  
O BofA avalia que uma melhor governabilidade poderia ajudar o novo governo a aprovar medidas necessárias para a economia e para o ajuste fiscal, resultando em um melhor prospecto para as contas fiscais no futuro.
“Isso, combinado com um declínio das incertezas políticas, poderia levar a melhores níveis de confiança, abrindo caminho para a reversão da atividade econômica”, dizem os analistas do banco, que preveem uma melhora dos níveis de confiança e um aumento do PIB dois trimestres depois.
Contraponto
O banco francês Société Générale, porém, questiona o otimismo do mercado com o governo Temer.
“O mercado está esperando que a nova equipe do presidente interino Temer vai melhorar a situação fiscal do Brasil e tirar a economia da mais profunda recessão em várias décadas. No entanto, o governo enfrenta enormes desafios e o seu sucesso é incerto na melhor das hipóteses”, afirma Dev Ashish, economista para a América Latina do Société, em relatório divulgado nesta sexta-feira.
Ashish avalia que o governo não tem controle sobre vários dos fatores cruciais para a recuperação da economia, como preço das commodities e a demanda externa. Por utro lado, a tão necessária consolidação fiscal pode não se materializar na medida exigida.
“Além disso, os esforços fiscais vão continuar a colocar pressão adicional sobre o âmbito da recuperação [da economia], ainda que indiretamente estimulando o sentimento dos investidores e o crescimento do investimento”, afirma o economista.
(*) Fonte: financista.com.br
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