A responsável e competente jornalista e professora universitária barrense Maria do Socorro Carcará, em seu site longah.com, redigiu o texto abaixo transcrito pelo Tribuna de Barras, onde se fez voz de muitos barrenses que estão questionando a realização da festa de carnaval em Barras numa das margens do Rio Marathaoan, e os graves problemas ecológicos que o evento poderá trazer. Leia abaixo.


"A assessoria da Prefeitura de Barras diz que a prefeitura que vai colocar tambor de lixo em vários locais e que “o mal educado é mal  educado em qualquer lugar”. Ao dizer isso, a prefeitura já retira de si a responsabilidade pela sujeira ou lixo que com certeza vai se acumular dentro do rio. Só que a educação ambiental é também responsabilidade da administração pública.
Ademais, o impacto não é só do lixo e da urina que vai infectar o rio. O impacto é do pisoteio dos foliões que vai destruir a vegetação das margens e é isso que é o grande vilão do assoreamento do rio. O impacto incidirá também na fauna e microfauna que existem ali, que fugirão do seu habitat ou serão esmagadas.
Pouco sabem, mas o som causa causa um grande impacto ambiental. Imagine você querendo dormir e um paredão debaixo da sua janela? Assim mesmo acontece com os outros peixes e animais que ali vivem. Que estão quietos no seu habitat e de repente tem sua rotina por quatro dias abalada por trio elétrico, paredões, gritos!
Nas redes sociais e na imprensa esse assunto é tema de debate, mas o Poder Público Municipal faz ouvido de mercador. Decidiu que o carnaval será à beira do rio, como se o rio não fosse de todos os cidadãos. O voto não dá direito ao gestor de utilizar dos recursos naturais do município da forma que lhe convir, colocando-o em risco.
Pesquisa realizada por cientistas britânicos aponta que o barulho prejudica a desorientação dos filhotes de peixes (alevinos). Sons naturais sob as águas são usados pelos animais para encontrar habitat adequado. Se este equilíbrio é quebrado pelos sons externos vão deixar os alevinos desorientado. E tem um agravante: o som se propaga quatro vezes mais rápido na água do que no ar. Só um estudo de caso vai poder prever como os peixes e animais aquáticos poderão ser atingidos. É uma consequência imprevisível.
Outro argumento é que foi mudado o local da festa para economizar na decoração da Avenida Deputado Pinheiro Machado. Mas o prejuízo maior será ao meio ambiente, prejuízo este incalculável e que a prefeitura não sabe quanto,  porque não avaliou os impactos ambientais e não está preocupada com isso.
A Prefeitura de Barras, se tivesse o mínimo de preocupação ambiental, colocaria tapumes protegendo o Rio Marathaoan em toda a área da avenida onde será realizada a festa do carnaval por quatro dias.
A prefeitura não poderia nunca decidir sozinha promover um evento deste porte à beira de um manancial que é o Marathaoan.  Esta gestão passa, mas o rio vai ficar. Agora resta saber como é que ele vai ficar.
Queremos sim, ideias novas para o carnaval, uma revitalização da festa. O corso em Barras está com uma excelente expectativa. Queremos os trios, os paredões, mas nas margens do nosso maior patrimônio ambiental, definitivamente, não!"
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  1. Parabéns a jornalista Maria Carcará pela observação em relação ao impacto ambiental e quero acrescentar que todos os dejetos serão assoreados, ou seja, vão ficar no leito do rio. Aconselho a Secretaria do Meio Ambiente de Barras fazer uma DQO e OD antes do carnaval e depois do término do evento. Verão o verdadeiro impacto ambiental e as consequências. Tornem público para que toda sociedade barrense tomem ciência. Vejam uma empresa com Certificado de Acreditação para a análise, com proficiência e que analisem a poluição e contaminação. Vejam a análise dos percolados e do lixiviamento!! É o mínimo de respeito ao velho Marathoan !!

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