Fim de tarde, comecinho da noite, às vezes após o jantar, alguém puxa uma cadeira de dentro de casa e senta na calçada. Não demora muito aparece um filho, um neto, uma vizinha, a conversa se estende e ganha a noite, dando ares de ritual a um momento que não pode faltar no cotidiano de muitos barrenses há quase 200 anos.
O hábito de colocar cadeiras na porta de casa para conversar com parentes e vizinhos é bastante antigo em todo o Brasil, e até parece nostálgico, remontando cenas da infância, principalmente para quem cresceu no interior, onde os vizinhos se conhecem intimamente e compartilham amenidades enquanto as crianças brincam na rua sem medo de assaltos ou acidentes de trânsito, embora as coisas estejam mudando muito rápido neste mundo agressivo atual que chamamos de "moderno". Barras já beira os 50 mil habitantes, algumas conflitos sociais já existem, mas os "arrastões" de outras paragens anunciados pela mídia, graças a Deus e a Virgem e Imaculada Conceição, nossa excelsa Padroeira, por aqui ainda não chegaram.
De acordo com o sociólogo Moisés Costa Neto, esse hábito de sentar-se à porta de casa, fortalece os laços sociais entre as pessoas e permite o aprofundamento das relações. "Primeiro, é preciso que se diga que, para a Sociologia, a socialização não desapareceu ou diminuiu, ela apenas tomou novas formas, como a virtualidade, por exemplo. Os laços sociais se constroem principalmente pelo lugar comum em que moram as pessoas. As cadeiras na calçada reforçam esses laços, porque permitem que se aprofundem as relações por meio do diálogo, que possui uma função agregadora e identitária subestimada pelas pessoas. Conversar com os vizinhos na calçada significa reconhecer o outro como um semelhante e, ao mesmo tempo, policiar os comportamentos desviantes da vizinhança", explicou o sociólogo.



(*) Fotos: Rômulo Sales

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