O Parque Eólico da Chapada do Araripe, localizado nos municípios de Simões e Marcolândia, sempre foi tratado pelo Governo do Estado como uma grande oportunidade de reforçar o desenvolvimento na região Sul do Piauí. Nos últimos meses, porém, acabou virando uma dor de cabeça. O principal temor dos gestores piauienses é que o impacto econômico seja inferior ao projetado - especialmente no que diz respeito à geração de emprego e prestação de serviços.
A preocupação do Governo do Estado se justifica, uma vez que as empresas responsáveis pelo parque eólico instalaram seus escritórios e construíram seus canteiros no território de Pernambuco. "Isso tem prejudicado muita gente que investiu em restaurantes e pousadas, por exemplo. As empresas, sem motivos, estão dando preferência para Pernambuco", comenta o vereador Luciano César (PT), de Simões, a 440 quilômetros de Teresina.
De acordo com Luciano César, apesar de a maior parte parque eólico ficar situada no Piauí, a maior parte dos serviços está concentrada em Pernambuco. "Simões poderia ganhar com hotelaria, com a movimentação da economia local e com a geração de emprego e renda, mas até isso tiraram do município", lamenta o parlamentar simonense.
O secretário estadual de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis, Luís Coelho, admite o problema, mas afirma que o Governo do Estado já se movimenta para reverter a situação. "Quandos os primeiros parques foram instalados, na gestão passada, o Governo do Estado deixou de tomar algumas ações. Não justifica o Piauí não ficar com a mão de obra. Até as quentinhas consumidas pelos operários vêm de Pernambuco", argumenta o gestor.
Para contornar a situação, Luís Coelho se reunirá nesta quarta-feira (18) com assessores do governador Wellington Dias (PT) para tratar do assunto. "Lógico que temos interesse que a prestação de serviço seja feita dentro do estado, além do canteiro de obras. Queremos que exista geração de riqueza dentro do nosso estado. Não podemos aceitar que o estado tenha um grande parque e que a construção do canteiro e a prestação de serviço fique en Pernambuco".
"Queremos reverter essa situação. Que essa prestação de serviço seja feita nas localidades onde estão sendo instalados os parques eólicos. Para isso, o Governo do Estado está disposto a fechar parcerias com Sebrae e Senai para qualificar pessoas e atender a demanda", complementa.
Enquanto o imbróglio persiste, o Parque Eólico da Chapada do Araripe funciona em fase de testes. A previsão do Governo do Estado é que ele seja inaugurado oficialmente até o fim de novembro.

(*) Matéria de Flávio Meireles, portal Cidade Verde
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