Contas que não fecham, caixa no vermelho e time no risco iminente de voltar a cruzar os braços. O River vive um dilema às vésperas do primeiro duelo decisivo das quartas de final da Série D com o Lajeadense. Depois da segunda paralisação, os jogadores retornaram aos treinos após um novo acordo com a diretoria: pagamento de 50% de uma das três folhas em atraso, com promessa de quitação do restante na sexta. Contudo, o tesoureiro do clube, Chagas Costa, revelou detalhes que ajudam a entender o drama financeiro tricolor. As despesas do clube chegam a R$ 260 mil mensais (manutenção de sede, gastos com time, funcionários e outros), o triplo do que é arrecadado, cerca de R$ 80 mil.

- O torcedor não se satisfaz se você colocar um time regular. Ele é o primeiro a não ir ao estádio e o primeiro a te criticar. São dois parâmetros diferentes. Um é a crítica fácil. O outro é você fazer a crítica e não corresponder, indo ao estádio e exigir que isso seja melhorado. Sem essas condições de receita não se faz. É como uma empresa. Não se pode pagar despesas se você não tem receita – declarou Costa.
O drama pelo qual passa o Galo se estende desde o Campeonato Piauiense, quando o time conquistou o bicampeonato. Na reta final do torneio, uma folha salarial chegou a ficar pendente. Há pouco mais de um mês, os jogadores paralisaram as atividades por um dia pelo agravamento dos atrasos e voltaram a protestar na terça-feira com o acúmulo de três meses de salários. O time está a dois jogos de conseguir o acesso e entrou em comunhão com a torcida após a vitória por 3 a 0 sobre o Estanciano no jogo de volta das oitavas.
- É importante dizer que fizemos uma proposta aos jogadores, e a torcida deve saber disso que, domingo à noite, fizemos uma antecipação da gratificação deles, algo em torno de R$ 30 mil. A gente fez uma proposta de liquidar 60% da folha, que não foi aceita pelo capitão da equipe (Paulo Paraíba), que achou por bem receber a folha integralmente. Como o capitão da equipe não aceitou, tivemos que ter um tempo maior para que a gente pudesse fazer uma operação financeira para complementar a folha. Infelizmente estamos passando por uma greve dos bancos, que está dificultando ainda mais – explicou o presidente em exercício, Júlio Arcoverde.
Apenas na Série D deste ano, o River Atlético Clube arrecadou R$ 204.012,01 com receitas de bilheteria nos cinco jogos com mando tricolor no estádio Albertão. A maior quantia por partida foi contra o Estanciano no domingo, quando o clube embolsou líquidos R$ 109.704,76.
- A diretoria contratou jogadores de peso, com renome, mas a torcida não fez a parte dela. O Campeonato Piauiense por si só foi muito fraco para o River. Um elenco muito alto de investimento para uma renda muito baixa. O clube praticamente veio pegar renda agora na Copa do Nordeste e nos três últimos jogos da Série D. Como é que o torcedor quer exigir se ele não faz a parte dele? – destacou Ciro Andrade, torcedor.
A diretoria espera contar com apoio dos torcedores no jogo de ida das quartas contra o Lajeadense às 16h30 de segunda. Para a partida, o clube colocou 28mil ingressos à disposição em cinco pontos de venda.
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(*) Texto: Emanuele Madeira, Globo Esporte
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