O GP1 ouviu, no final da manhã desta quinta-feira (29), o advogado João Alberto Soares Neto, que está fazendo a defesa do ex-diretor financeiro da Fundação Cultural do Piauí, Halysson Carvalho Silva, preso, na última segunda-feira (26), por agentes da Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Zelotes

Advogado joão Neto(Imagem:Lucas Dias/GP1)

O advogdo João Alberto Soares Neto (foto acima), afirmou que Hallyson nunca mandou e-mails ou fez ligações tentando extorquir empresas, como afirma a ação da Polícia Federal

João Neto afirmou que Hallyson nunca mandou e-mails ou fez ligações tentando extorquir empresas, como afirma a ação da Polícia Federal
“Na operação Zelotes, duas empresas, a CAOA e a MMC teriam comprando a medida provisória 471. Então alguns e-mails e telefonemas foram usados para cobrar pagamentos dessa propina. Quero esclarecer que o e-mail não pertencia ao Hallyson, pertencia a alguém chamado Raimundo Lima e o telefone era registrado no nome de uma pessoa identificada como Jesus. O telefone era de DDD 31, de Minas Gerais”, explicou.
O advogado esclareceu que o delegado responsável pela operação errou ao envolver Hallyson nesse caso. 
“Na prova dos autos, a gente verificou que a juíza foi induzida ao erro pelo delegado da Polícia Federal, do Distrito Federal. Na própria representação, o delegado fala que o Hallysson é recorrente em erros gramaticais, até porque ele é uma pessoa que não é formada e os e-mails das ameaças para as empesas MMC e CAOA não possuem erros gramaticais, demonstrando a princípio que não foi ele que encaminhou os e-mails, mas sim alguém que se utilizou da identidade de Raimundo Lima. Já no telefone de DDD 31, de Minas Gerais, foi quebrado o sigilo de localização. Cada ligação que era feita, era registrada pela Estação Rádio Base, que registrou que todas as ligações foram realizadas em Minas Gerais. E o Hallysson nunca foi para Belo Horizonte na época das ligações, ou seja, o delegado incorreu em erro e acabou fazendo com que a juíza fosse levada a errar, sem que as provas levassem nenhum indício de autoria a ele”, declarou.
João Neto afirma que os donos do e-mail e do telefone onde foram feitas as ameaças também devem ter sido vítimas no caso.
“O e-mail era registrado no nome de Raimundo Lima e o telefone no nome de Jesus. Esses dois trabalharam no ano de 2010 para Halysson. Porém, o fato dos dois terem trabalhado para o Hallysson não significa dizer que ele mandou esse e-mail e fez essas ligações. Tanto é que essas ligações foram feitas em Belo Horizonte e os e-mails não tem erros de português. Ele não tem nada a ver com isso. Alguém se utilizou dos dados de Raimundo e de Jesus e conseguiu incriminar o Halysson, mas ele não tem nada a ver com a compra da medida 471. Tanto o Raimundo e o Jesus foram conduzidos coercitivamente para a Polícia Federal e eles prestaram informações dizendo que não tem conhecimento desse e-mail e desse telefone. Eles também foram vítimas dessa operação Zelotes”, afirmou o advogado.
João Neto nega qualquer envolvimento do seu cliente com o caso. “Ele é uma pessoa conhecida em Teresina, é uma pessoa que tem emprego fixo, é empresário. É classe média. Uma pessoa normal, nunca recebeu dinheiro ilícito, nunca participou de qualquer negociação de medida provisória. Não mandou e-mails, não participou de nenhum tipo de ameaça ou extorsão a empresa MMC ou CAOA. Além do mais, não conhece nenhum dos outros presos ou investigados. Nunca teve nenhum contato entre eles. A mídia publicou as matérias baseada no relatório do delegado que infelizmente incorreu em erro, que acabou fazendo a mídia incorrer em erro. Também envolveram nisso políticos ligados a Halysson, tentando manchar o nome dele, manchando o nome de alguns políticos como Wellington Dias, Francis Lopes e Frank Aguiar”, disse em entrevista ao GP1.


Ex-diretor da Fundac Halysson Carvalho(Imagem:Divulgação)
Ex-diretor da Fundac Halysson Carvalho



Contratado para extorsão

O advogado também negou a informação de que Hallyson teria sido contratado pela empresa SGR para extorquir a MMC. “Não existe isso. A SGR teria problema em receber débitos de uns colaboradores e o delegado fala na ação, em deduções totalmente ilógicas, que ele [Halysson] foi contratado para poder extorquir a MMC. Sendo que isso não é verdade, isso não existe. Ele não tem contato com nenhuma das empresas envolvidas na operação Zelotes”, declarou.

Prisão

João Neto explicou que, no momento da prisão, Hallyson Carvalho estava na cidade de São Paulo quando ficou sabendo que seu nome foi envolvido no caso. Ele planejava se apresentar na sede da Polícia Federal de Teresina.

“Ele tem uma empresa de bebidas em Teresina que até está chegando a falência. Ele impetrou uma ação contra uma determinada companhia de bebidas e foi a São Paulo para negociar o débito dessa representação. Quando ele retornava, ficou sabendo da operação. Combinamos que quando ele chegasse aqui, iria diretamente para a Polícia Federal se apresentar. Acabou sendo preso lá. Ele está totalmente tranquilo, totalmente confiante da sua inocência, e porque essa é a única versão, que é a verdade, e a verdade é que ele é inocente”, afirmou.

Defesa tenta liberdade
“Fui a Brasília na segunda-feira. Depois fui de Brasília para São Paulo. Conversei com ele. Ontem, na quarta-feira, foi apresentado o pedido de revogação de prisão preventiva, pois demostrei para a juíza os erros do delegado que levaram ela a essa decisão. Agora estamos aguardando com urgência esse pedido de revogação e pretendemos ainda impetrar um habeas corpus em seu favor no Tribunal Regional Federal do Distrito Federal, no TRF1”, explicou.
O advogado explicou que está à disposição para esclarecer o caso e que a família não deve ficar preocupada. “Queria pedir que a família dele mantenha a cabeça erguida. Que os amigos fiquem com a cabeça erguida. Confiar na inocência dele, porque ele é realmente inocente e que a população piauiense não se deixe levar por notícias falsas, por deduções totalmente ilógicas do delegado e o erro da juíza. Com o tempo ele provará toda a inocência dele”, finalizou o advogado João Neto.
Operação Zelotes
Halysson Carvalho foi preso, na segunda-feira, na operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal. 
De acordo com a PF, as provas indicam que houve corrupção de agentes públicos para que uma lei que beneficiasse o setor automotivo fosse elaborada e, depois aprovada. No caso de Hallyson, se trata da Medida Provisória (MP) 471 que prorrogou incentivos tributários por cinco anos e beneficiou empresas do setor automobilístico. A MP foi aprovada pelo Senado em março de 2010 e sancionada pela Presidência da República. Montadoras de veículos estão sendo investigadas por envolvimento no caso, pois lobistas teriam negociado até R$ 36 milhões em pagamentos com montadoras de veículos para conseguir aprovação da MP no Congresso.
Segundo ação da Polícia Federal, Halysson teria extorquido a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda exigindo o pagamento de US$ 1,5 milhão para não entregar um dossiê sobre o caso à imprensa ou para oposição do governo. A extorsão teria sido motivada por falta de pagamento da propina inicialmente negociada pelo consórcio SGR/Marcondes & Mautoni, que tinha expectativa de receber R$ 32 milhões. O caso é de outubro de 2010.

(*) Fonte: GP1
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