A posse do escritor barrense Dílson Lages Monteiro na Cadeira 21 da Academia Piauiense de Letras, acontece pontualmente às 19 horas desta Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015, no Auditório Wilson de Andrade Brandão, sede da Academia Piauiense de Letras, em Teresina. O discurso de recepção será proferido pelo acadêmico José Elmar de Melo Carvalho.  

O último ocupante da Cadeira 21 da APL foi o poeta Hardi Filho. Anteriormente, a cadeira 21 teve como membro a poetisa Isabel Vilhena, que marcou época na literatura piauiense e no magistério como professora de centenas de jovens de sucesso. O primeiro ocupante da cadeira 21 foi o grande poeta amarantino, umas das maiores vozes do simbolismo brasileiro, Da Costa e Silva, que era primo, pelo lado paterno,  de Agostinho da Costa e Silva,  bisavô do novel acadêmico da APL, Dílson Lages Monteiro.
Dílson Lages Monteiro nasceu em Barras, filho dos funcionários públicos  Gonçalo Soares Monteiro e Rosa Maria Pires Lages Monteiro.


Biografia:


O escritor barrense Dílson Lages Monteiro concedendo
entrevista para um canal de televisão.


Dílson Lages Monteiro nasceu em Barras do Marataoã (PI), aos 14 de Dezembro de 1973. Viveu a infância em sua cidade  natal e passou a residir em Teresina aos 13 anos, construindo uma bonita história de dedicação à literatura e ao magistério. É membro da Academia de Letras do Vale do Longá, da União Brasileira de Escritores - UBE-PI,  da Associação dos Escritores do Amazonas. Autor de 13 livros publicados, passeando por diversos gêneros (do didático ao literário). São obras de  Dílson Lages Monteiro:

+ Hum-poemas (1995),
Colmeia de Concreto (1997),
Os Olhos do Silêncio (1999),
O Sabor dos Sentidos (2001),
A Metáfora em Textos Dissertativos (2001 – duas edições)
Co-autor de Cabeceiras - a marcha das mudanças (1996).
Entretextos (artigos e entrevistas – 2007);
Texto argumentativo – teoria e prática (didático – 2007) – adotado em diversas escolas como livro-base para alunos de terceiro ano do Ensino Médio;
Adiante dos olhos suspensos (poemas – 2009);
O morro da casa-grande  (romance – 2011) – duas edições. Obra adotada como leitura obrigatória  em várias escolas, inclusive fora do Piauí.
O rato da roupa de ouro (infantil – 2012) – livro adotado por diversas escolas do Piauí e fora do Estado.
Ares e lares de amores tantos (poemas – 2014)
Meus olhinhos de brinquedo (infantil – 2015)

Dílson Lages Monteiro é especialista em língua portuguesa (PUC-SP) e especialista em Revisão de Textos (PUC-MG)  e, atualmente, além de dedicar-se à literatura, ministra aulas de Literatura, Leitura e Produção de Textos no ensino médio, em Teresina-PI, onde dirige, desde 2002, o Laboratório de Redação Professor Dílson Lages ( espaço em que atua junto a vestibulandos e orienta oficinas de criação literária). 




SOBRE A OBRA DE DÍLSON LAGES MONTEIRO

Para o professor de Teoria Literária da Universidade de Brasília, Ricardo Araújo, “A poesia de Dílson Lages tenta recuperar através do sentidos “O sabor das imagens”, propondo novas associações de imagens e ampliando o horizonte de possibilidades metafóricas". Ainda, segundo Araújo, "Lages cria novas metáforas buscando ilações inusitadas e auscultando os diversos sons provenientes destes seres peculiares que integram a personalidade humana de cada um de nós".

O processo de criação de imagens na poesia de Dílson é também destacado pelo escritor Francisco Miguel de Moura. Na mais recente edição de Literatura Piauiense, editado em junho de 2015, Moura enfatiza que esse é o traço estilístico que personifica a poética de Dílson. “Sua dicção poética tem matriz na imagem com sobreposição de metáforas, no uso da metonímia e outros tropos”, diz, enfatizando que o poeta “vai reinventando recursos além da retórica tradicional, ao lado de criações linguísticas da modernidade”.

Rogel Samuel, romancista, críticos literário e professor aposentado da Pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, escreveu que a poesia de Dílson, principalmente no livro Os olhos de silêncio, é uma poesia “Zen”. Diz o escritor que “ é a poesia mínima, reduzida ao mínimo, no minimalismo característico do pós-moderno”.

A atuação de Dílson Lages  na literatura vem se estabelecendo nos últimos anos pela exploração da prosa de ficção  em narrativas curtas e longas.  O morro da casa-grande (1997, duas edições), novela, e O rato da roupa de ouro (2014), conto infantil, foram recebidos com louvor por leitores e críticos literários. Adotados em escolas no Piauí e fora dele, esses livros consolidaram um novo escritor em formação. Naquele, o prosador uniu memória, ficção e poesia, para contar a destruição do patrimônio cultural de sua cidade-berço; neste, resignificando elementos do conto infantil clássico,  aproveitou para, por meio do lúdico, envolver as crianças em virtudes universais como a bondade e o altruísmo.

Conforme o crítico literário  Manoel Hygino do Santos, da Academia Mineira de Letras, em artigo publicado no jornal Hoje em Dia (Belo Horizonte-MG), “O morro da casa-grande trata-se de um trabalho interessante, a que não faltam vocábulos praticamente não usados no Sudeste e no Sul, expressões bem próprias do interior piauiense. Mas um texto agradável, com uma narrativa que faz sentido e tem propósitos claros, entre os quais o de proteger tanto quanto possível o legado das velhas gerações”.

Analisando a linguagem empregada por Dílson Lages na novela "O morro da casa-grande", o escritor e crítico literário Cunha e Silva Filho, Pós-doutor em Literatura pela UFRJ, ressalta que a "ideia propiciada pela leitura da sua narrativa teria aquela mesma sensação da leitura de um texto poético". O crítico acrescenta que, "Há um dado que muito conta a favor desse escritor: é que, ao lado da linguagem que, por vezes, tangencia a poetização do seu tecido literário, ao mesmo tempo existe um cuidado especial com a linguagem, com a sintaxe do discurso narrativo, e isso é bem visível no espaço do enunciado, no qual as imagens poéticas e o lirismo potencialmente forte se casam perfeitamente, numa harmonia de um discurso que traz um sabor - diria - clássico".

Dissecando temática e estruturalmente a novela, Cunha e Silva Filho esclarece que “o leitmotif da narrativa não deixa de ser a derrubada da igreja na sua

imbricação com a imagem fantasmagórica do morro da Casa-Grande. Dessas duas circunstâncias podemos depreender toda a motivação  do núcleo  do relato. A Igreja da Matriz  de Barras reforça esse elemento temático-nuclear com  a chancela histórica de ilustrações inseridas no corpo do texto , assim como de outras ilustrações e paisagens alusivas ao meio rural, a um antepassado histórico, ao rio Marataoã, a ruas de Barras, a outros logradouros da cidade e, finalmente,  a ilustrações representativas daquela igreja. Esses dados da realidade no campo e  na cidade, por assim  dizer, quebram a chamada ilusão ficcional, predispondo o leitor a uma volta ao mundo empírico e a ver a ficção como  uma mera construção imaginativa, mas não desligada dos seus liames histórico-culturais.”
Para a escritora e doutora em Estudos Literários pela UFG, Rosidelma Fraga, “O projeto de escritura histórica é seco, medido e racional, mas a forma como a narrativa é contada, sem dúvida, é de um lirismo derramado”. Ela salienta que ‘a ênfase do narrador para a antiga cidade de Barras do Marataoã é tão delineada que o rio de mesmo nome parece adquirir vida humana em forma de lirismo puro: “O Marataoã parece que saiu do lugar – repetia a balconista, com o leque nas mãos. O leque dançando, dançando, ao som seco e abafado do vento. O leque atritando o ar em coreografias” (MONTEIRO, 2012, p.13).’

Entre os que escreveram sobre o conto infantil O rato da roupa de ouro, ricamente ilustrado por Ângela Rêgo, está o crítico literário de O Globo José Castello. Em extensa resenha, Castello desnuda os mecanismos de criação empregados por Dílson Lages,  para levar o tema da política e do poder aos pequenos. Para o crítico, “A história de Dílson Lages Monteiro conduz seus pequenos leitores a uma confrontação precoce (e divertida) com a fragilidade dos valores humanos. Mostra-lhes que eles são móveis, que eles são instáveis, que eles são transitórios — que eles são, enfim, o que define o próprio humano”.

O Portal Entretextos, que agrega colaboradores e entusiastas da literatura, é criação de Dílson Lages. Fundado em 2002, o Portal é referência em literatura. Em artigo intitulado “O uso de blogs e chats no ensino de literatura”, publicado na revista Letras Hoje, da PUC-RS, o professor da universidade Estadual de Maringá (UEL), Dr. Marciano Lopes e Silva, recomenda Entretextos como uma das páginas literárias em Língua Portuguesa com conteúdo relevante para utilização em aulas de literatura (http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/viewFile/7528/5398).

Textos do Portal Entretextos são utilizados atualmente em atividades do projeto didático A didatiteca virtual de ensino em português, elaborado pelo Departamento de Português do Centro de Ensino de Línguas Estrangeiras da Universidade do México (CELE – UNAM)

Dílson Lages Monteiro é especialista em língua portuguesa (PUC-SP) e especialista em Revisão de Textos (PUC-MG)  e, atualmente, ministra aulas de Literatura, Leitura e Produção de Textos no ensino médio, em Teresina-PI, onde dirige, desde 2002, o Laboratório de Redação Professor Dílson Lages ( espaço em que atua junto a vestibulandos e orienta oficinas de criação literária). 
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