Cena de cidadezinha do interior no tempo do coronelismo.

Por volta das 15 horas de ontem,  Terça-feira (25), foram presos dois acusados de roubarem animais na Fazenda Olho D’água da Prata, município de Batalha, distante 36 quilômetros de Barras. A fazenda pertence a Amaro Melo, ex-prefeito do vizinho município. 
Com os acusados José Romário da Silva e Gilson Barbosa da Silva, foram encontrados apenas dois couros de bode.
Eles confessaram o furto de seis animais, que foram comercializados no mercado público de Barras, mas o proprietário da fazenda alega que já foram subtraídos mais de 50 cabeças de criações de sua fazenda. Esta foi mais uma ação da 3ª cia, ação está comandada pelo sub tenente José Carcará, Cabos Castro, Evangelista, G. Rego e soldado Vanildo.
Os acusados após desfilarem em carro aberto nas ruas que destinam a delegacia de polícia de Barras, foram conduzidos à delegacia da cidade onde foram autuados em flagrante e delito e posaram para fotos feitas pelos policiais segurando os supostos bodes roubados. Uma aberração, um crime cometido pelos policiais e que deve ser denunciado a Corregedoria de Polícia, já que segundo a Lei o acusado não pode ser exposto antes de ser julgado - nem na mídia -, quanto mais em ação realizada pelos próprios policiais. Os policiais mostraram despreparo e desconhecimento da Lei.

O que dizem os juristas sobre o caso:


O preso merece ter sua dignidade preservada, já que a pena imposta deve limitar-se à privação de liberdade, não podendo, as autoridades por mera vontade acrescer outras medidas, muito menos das que lhe cause humilhação e constrangimento. No entanto, a mídia televisiva e os agentes policiais desobedecem os mandamentos da lei, violando dispositivos constitucionais através da exposição das imagens do preso. Além disso, não só a moral é atacada, mas a sua integridade física, pois quantas vezes assistimos a cenas humilhantes de pessoas conduzidas com algemas e sendo colocadas em situações vergonhosas. Dessa maneira, analisamos até que ponto é correto divulgar a imagem do preso por parte da força de segurança. Tal divulgação é vista pelo Ministério Público como uma afronta à Constituição, sendo passível de ação civil pública, um processo por abuso de autoridade e ainda indenização prestada pelo Estado.
(*) Fotos: Polícia Militar, 3ª Companhia, Barras-PI
bode2
bode1
bode3
(*) Informação e fotos publicadas originalmente no Longah.com
Reações:
 
Top