A jornalista e professora universitária Maria do Socorro Carcará, do grupo redacional do jornal e portal Meio Norte e editora do portal longah.com, concedeu entrevista ao repórter Juarez Santos, do juarezsantos.com e falou sobre suas atividades profissionais e sobre sua visão do momento atual da política barrense. Confira abaixo a entrevista.



Juarez Santos- Quando e onde se formou em jornalismo?
Maria Carcará- Em 1997, na Universidade Federal do Piauí. Lá eu fiz especialização em Imagem, mestrado em Meio Ambiente e atualmente estou fazendo doutorado também em Meio Ambiente.
Por que escolheu essa área?
Maria Carcará- Por vocação. Desde quando me entendi por gente, sabia que queria ser jornalista.
Como você se define, profissionalmente falando?
Maria Carcará- Eu me defino como multimídia. Conheço todas as peculiaridade de cada meio, seja internet, rádio, televisão, jornal. Sou também assessora de imprensa, consultora em comunicação, professora de jornalismo. O que vier, eu encaro. Atualmente formalizei uma empresa que abrange duas áreas. É a Rio Longah Comunicação, Meio Ambiente.
Qual  a receita para alguém lograr êxito nessa área?
Maria Carcará- A prática é tudo em jornalismo. Quanto mais você produz, mais você aprende. Entretanto, ter fontes é imprescindível. As pessoas precisam confiar no seu trabalho e querer lhe dar informações ou, na pior das hipóteses, não querer omiti-las. Outra receita é comprometimento. Você tem que viver o jornalismo 24 horas e em qualquer lugar que você esteja. A receita é sempre se perguntar: será se isso rende matéria?
Você tem conseguido sobreviver apenas dessa profissão?
Maria Carcará- Sim. Passei dez anos dando aula de redação em uma escola particular onde recebia um bom salário, mas decidi abandonar a sala de aula e investir só na minha área. Graças a Deus, não me faltou emprego. É complicado a gente falar de si, porque fica parecendo que está se jogando confete, mas posso dizer com muita humildade que, no meu estado, sou uma jornalista que já alcançou reconhecimento e que os empresários gostariam de ter no seu quadro de funcionários.
O que não pode faltar no profissional de imprensa?
Maria Carcará- Profissionalismo e credibilidade. Um jornalista que não inspira confiança não vai ter público.
O que o jornalista  não pode ser, cometer?
Maria Carcará- Não dá para elencar. Muitas coisas devem ser evitadas. O mais sério é a falta de apuração. Você relatar um fato que não aconteceu. Tem gente que acredita em tudo que aparece nas redes sociais e pode cometer uma “barrigada”, gíria do jornalismo. A minha maior barrigada foi noticiar a morte de um vereador que não tinha morrido. Li em outro portal e não apurei. Acreditei logo. O homem estava doente, mas continuou vivo um tempão.
Qual a sua especialidade profissional?
Maria Carcará- Eu gosto de falar de tudo que dê acesso. Não tenho preferência por editoria. Só não gosto muito de escrever sobre esporte, mas escrevo. A notícia me excita. Todas elas.
Eu também falo  de tudo que dê acesso, mas gosto mais de falar sobre política.  Por falar em política, você tem acompanhado a atual política de Barras? Se tem, o que acha?
Maria Carcará- Estamos em um ano pré-eleitoral e temos já a experiência de ver que, em Barras, o contexto pode mudar até depois da convenção, no prazo da assinatura da ata, e mudanças de chamar atenção. Por exemplo: Na última eleição Chico Marques era prefeito e candidato, terminou desistindo e apoiando Carlos Monte. Um grande número dos que estavam com ele migraram para Edilson. Foi uma debandada. Manin estava cotado para apontar o vice de Carlos Monte e, no período da viagem de Barras para Teresina, mudou de ideia e também decidiu aderir para Edilson. Manoel Almeida era vice de Edilson e terminou lançando a esposa como candidata a vereadora após ter sido preterido em nome do atual vice-prefeito Bona Júnior. O receio era que a família Almeida ficassse sem mandato. Hoje vejo Manim Rego querendo emplacar a esposa Nize; Chico Marques caminhando pelas comunidades dia e noite com a agenda de pré-candidato; Carlos Monte se articulando com a oposição que cresceu principalmente na Câmara e o prefeito Edilson meio que tentando segurar o povo que está com ele, povo esse que parece estar esperando que ele faça boas propostas para continuar do seu lado, assim como aconteceu no último pleito.
Resumindo, só vamos saber como fica esse saco de gato depois da convenção. O que sair de possíveis acertos sobre isso é pura especulação.

Como tem visto, está vendo Barras, administrativamente?
Maria Carcará- Eu sou bem transparente nesse ponto. Acho que a administração está muito na base do improviso. Você não consegue enxergar uma linha de ações definidas, uma vertente a ser seguida, uma unidade. Parece que não existe planejamento. Aparece um problema hoje, eles resolvem (ou não) e passam para o próximo que aparecer e assim segue. É como se estivessem todo tempo só tapando buracos, os que dão para ser tapados, os que acham que não dão, deixam para lá. Faltam técnicos ou qualificação dos funcionários que existem para exerecer funções-chave, para incrementar e acompanhar as ações administrativas, concluí-las, inaugurá-las. Não se vê algo de destaque, de concreto, uma obra, uma ação, um serviço que chame atenção. Até o feijão com arroz, que é calçar ruas, trocar lâmpada, capinar áreas públicas é feito de forma tímida. Faltam ideias. Falta criatividade e, sobretudo, falta vontade de fazer. Parece que está todo mundo acomodado fazendo o básico em sua área esperando o salário no final do mês. Esperando o FPM de 10 em 10 dias. É assim que eu vejo.

O prefeito só vai dar uma levantada em sua imagem se conseguir mostrar obras. Existe a expectativa dessas duas aí: a revitalização do mercado e a orla do Rio Marataoan, mas muita gente só vai acreditar que essas obras vão sair realmente do papel no dia da inauguração. Eu sou uma dessas pessoas que não acredita que a orla vai sair, mas eu torço para queimar a língua. Quero cobrir essa inauguração. Pelo menos a licitação já foi feita, né? A população precisa de uma obra para levantar a auto-estima. A zona rural poderia ter sido mais valorizada com uma grande ideia, algo que surpreendesse, mas não acredito que isso aconteça.

A Comunicação é uma peça-chave dentro da máquina administrativa. Mas não obteve êxito quwe deveria na divulgação da administração porque por mais que o prefeito diga que fez isso ou aquilo não causa impacto. A comunicação é um processo que deve ser planejado desde o início com estratégias definidas. No final da gestão, o prefeito não teria que ficar utilizando o seu espaço de discurso para enumerar obras e serviços quando eles já deveriam existir na mente da população.

Quem é a maior liderança política de Barras?
Maria Carcará- Pela lógica, a maior liderança deveria ser a que ocupa a principal cadeira e que tem posse da principal caneta da cidade. Isso porque tem os recursos e o poder de definição do local onde serão aplicados. Como coordenadora de jornalismo da TV Meio Norte, tive a oportunidade de coordenar inúmeras transmissões de eventos em municípios, vi excelentes administradores que tinham pouco conhecimento para administrar, mas se cercaram de bons técnicos, comprometidos em fazer bem feito, jovens, cheios de gás e empolgados. Têm o incentivo do gestor somado à vontade de querer fazer, de inovar e empolgar sua equipe. A população sente que o prefeito está no centro de tudo, coordenando, comandando. Esses prefeitos tenho certeza que vão se reeleger. Isso é ser líder. A população consegue enxergar isso.

Acho os pré-candidatos fortes. Todos. Isso de maior liderança é muito relativo. O que é para mim. Não vai ser para você. A maior liderança só vai ser conhecida com a apuração das urnas. Quem ganhar a eleição é a maior liderança. O resto é querer criar mitos.

Quem você acha que deverá ser o próximo governante de Barras a partir de 2017, pois deve conhecer todos os pretensos candidatos?
Maria Carcará- Eu espero que seja alguém que queira trabalhar pela cidade, que realmente tenha vontade de fazer diferente que traga melhorias para o povo e não só para os seus apaniguados.Que não seja apenas um distribuidor de recursos federais, que faça projetos para trazer mais dinheiro para a cidade, que estimule a economia. E, claro, que queira evitar corrupção. Esse é o perfil que eu admiro.
Você nunca pensou em ingressar na vida pública, em Barras, por exemplo?
Maria Carcará- Não. Nunca pensei. Eu sou de bastidores.

Cite uma coisa que estaria fazendo, uma que não faria de jeito nenhum, caso você estivesse governando o município de Barras?
Maria Carcará- Estaria acompanhando de perto as ações de cada pasta. Teria uma equipe só para elaboração de projetos para buscar recursos federais e desenvolvendo um mega projeto para transformar Barras num grande pólo econômico. Para mudar a história da cidade. para ser lembrada pelas descendências como um divisor de águas no contexto econômico da cidade. As pessoas querem ganhar dinheiro, querem ter qualidade de vida e querem trabalhar. É só unir essas características a uma ideia brilhante.
O que você diria para os que não gostam de você, da sua maneira de atuar?
Maria Carcará- Quem não gosta hoje, pode gostar amanhã. Isso depende muito das conveniências. Eu sabia desde o início que jornalistas não são unanimidade. Se falo bem de você, você me adora. Se falo mal… Quando estou do seu lado, sou uma pessoa boa, quando não estou não sou mais boa. Eu não gosto de falar mal, de ter que denunciar erros. Mas se os fatos existem, é minha obrigação noticiar. É essa a minha profissão. Minha família evita contar as coisas na minha frente. Hahahahaha. Quando veem já está lá n longah.com.
Os contadores fazem contas, os garis limpam a cidade, os prefeitos administram, os jornalistas noticiam fatos. É isso que as pessoas têm que compreender. Gosto de todo mundo. Todas as pessoas têm defeitos e qualidades. Precisamos ser tolerantes uns com os outros. Não falo de pessoas, falo de ocpuantes de cargos. Ou a gente consegue distinguir isso, ou então muda de profissão. A população têm que compreender isso. Se é uma pessoa pública está sujeita a ser alvo da imprensa. Se é para ser alvo, que sejam alvos positivos. Já tive que noticiar coisas horrorosas de pessoas que eu gosto porque deixaram acontecer.

Não pensa em morar em Barras?
Maria Carcará-Estou aberta às possibilidades. Atualmente não tenho como morar em Barras. Trabalho em Teresina. meu marido trabalha em Teresina. Minha filhas estudam na capital. Mas não fecho nenhuma porta.
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