...Pescadores de sonhos que pescam vidas numa Barras esquecida na poeira dos tempos...


Em tratando-se de maturidade política dos administrados e do próprio povo, Barras pouco evoluiu nos últimos 80 anos! 



A data de 22 de Abril de 1935 ficou marcada na história como a última vez que um barrense foi eleito governador. Chamada de Terra dos Governadores, Barras já teve filhos seus governando os estados do Piauí, Amazonas e Pernambuco.

O barrense vive dos tempos áureos do promissor passado. Promissor mais pelo esforço de alguns dos seus filhos do que pela dedicação da maioria dos seus gestores públicos. Nem publicações registram a maioria dos feitos da nossa gente! O barrense das últimas cinco gerações, na maioria, não gosta de ler, é mais estudado e menos culto; adora fofocar e pouco contribui para o progresso político e administrativo da sua terra. Saudosista (?) ele ainda não se alforriou do tempo das divergências políticas e públicas de Dico Gonçalves e Dr. Oséas ou de Alcides Lages e Antenor Rego. 
Para o barrense das últimas cinco gerações, mais vale um prefeito corrupto e fanfarrão do que um honesto e de boa pose! Os políticos barrenses geralmente são ruins e não é por natureza própria, é porque se for honesto, decente, não tem o voto do povo! Os barrenses não querem alguém que governe para sua terra, querem alguém que governe para si mesmo e para enriquecer parentes e amigos. Isso é histórico.

Mas e o presente? É bem verdade que o atual prefeito não vem fazendo uma notável administração - como a maioria quase esmagadora dos chefes do Executivo nos últimos 50 anos. Nos últimos 50 anos a Câmara de Vereadores também foi apática e em algumas situações "vendida". Hoje temos parlamentares como Matheus Aguiar, Gorete Lages, Cynara Lages Veras, que estão altamente vigilantes a tudo que acontece, assim deve ser um vereador. Mas até quando eles não irão ser seduzidos pelas cifras do poder? Esperamos que nunca!

E o barrense? Ah!, o barrense! Esse continua o mesmo há quase dois séculos! Do bate-boca das esquinas aos bate-bocas virtuais das redes sociais. Das "amplificadoras" de Barras aos sites e blog's da Web. Cada um defendendo seu interesse próprio mais que o interesse coletivo. Enquanto Barras não for pensada como um todo, Barras será sempre fatiada entre poderes inescrupulosos, corruptos.

Uma sociedade e uma "imprensa virtual" que mais se preocupa com uma discussão (ou briga) de botequim do que com obras inacabadas, falta de saneamento básico com esgotos correndo a céu aberto nas ruas da cidade, e falta de emprego para a juventude que se afoga em copos pelos bares da vida, quando não aproxima a morte no mundo das drogas. Que sociedade é essa? Que interesse tem essa imprensa virtual?

Cria-se blog's e site's somente "para atacar" ou "para defender" conforme os interesses de cada um. E os interesses de Barras? Será que os tempos avançam, a sociedade se torna mais estudada, mas nunca mais culta, preparada para saber escolher os destinos da sua própria terra?

Na era dos blog's e site's me parece que ouvir a amplificadora “A Voz do Marathaoan” do Dr. Oséas, que ficava no alto de um pé de coco, no quintal de sua residência, era mais real, mais confiável... se não fossem os desafios e desacatos no meio da rua entre ele e Dico Gonçalves. Os tiroteios atuais são outros, ferem o bolso do contribuinte, tiram os remédios dos hospitais, os investimentos da educação e da segurança pública, tudo tendo o próprio povo como cúmplice. De onde viemos? Para onde vamos? ... fins de 40 aos primeiros anos de 50... seis horas da tarde... das bocas amplificadoras, erguidas na Casa Paroquial (rua General Taumaturgo) e no alto da torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ouve-se o “speak” Zé Bia (José Araújo) anunciando na “A Voz do Campanário”, "A Hora da Ave Maria"... Ave Maria de sonhos, de eloquência, de puro amor a Barras. Tudo sob a coordenação do Monsenhor Lindolfo Uchôa. - “O anjo do Senhor anunciou a Maria - E ela concebeu do Espírito Santo”. - “Eis aqui a Escrava do Senhor - Faça-se em mim segundo a vossa palavra”. - “O Verbo de Deus se fez carne - E habitou entre nós”. ... Logo mais, às 20 horas, a Banda Lira Barrense, fundada em 1912, desce a escadaria do prédio do quiosque da Praça Senador Joaquim Pires entoando dobrados, marchas e valsas... ... Do preto e branco do passado ao colorido do presente, uma Barras que agoniza e que encanta, que sofre e que nos faz sofrer (de amor por ela)... que enriquece a muitos e é dilapidada... que padece e suplica perdão aos seus filhos por um pecado que não cometeu! Ave Barras, Cheia de Graça! (*) Reinaldo Barros Torres, editor do Tribuna de Barras.

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