O rapaz ferido pelo pai do comandante da polícia em Batalha/PI
O comandante da Polícia Militar de Batalha, cidade da Região da Grande Barras, distante 154 km de Teresina, ordenou a prisão do próprio pai após uma briga em um bar na cidade. O sargento Messias Machado, comandante da PM, contou  que o pai perdeu o controle após ameaças feitas por um rapaz. 
"É verdade, eu mesmo mandei que recolhessem ele a delegacia. Meu pai foi ameaçado, se descontrolou e desferiu dois golpes de facão no rapaz. Eu tive que fazer isso. A juíza da cidade arbitrou uma fiança para o caso dele, que já foi paga e ele já está solto", contou o policial.
De acordo com o delegado titular da cidade, Marcelo Dias Aguiar, o idoso de 70 anos foi autuado por lesão corporal grave e teve que dormir na delegacia. "Eles estavam em um bar no mercado, e nem se conheciam. Parece que a vítima derrubou uma cerveja, ele teria ficado com raiva e cortou a vítima usando um facão. Ele foi autuado por lesão corporal grave e encaminhamos os autos para a Justiça", explicou o delegado.
Marcelo Dias explicou ainda que o rapaz, vítima dos golpes, ainda não prestou depoimento pois está internado por conta dos ferimentos, mas não corre risco de morrer.
O sargento acrescenta que a vítima teria envolvimento com drogas e conta como foi a discussão no bar. "O rapaz é usuário de drogas e chegou no bar onde meu pai estava e pediu que ele pagasse uma bebida, ele negou e o rapaz começou a falar que meu pai queria aparecer porque era pai de comandante e chegou a ameaçar ele, foi aí que ele se descontrolou", acrescentou o militar.
Pai da vítima alega discriminação
O rapaz também não teve a identificação digulgada pela Polícia, mas seu pai, o pedreiro Joaquim Barroso, afirma que o filho foi alvo de discriminação, pois a Polícia não teria procurado pela família para coletar informações sobre o crime. 
"Meu filho foi agredido por um homem que anda armado. O hospital ficou lavado de sangue e nunca o delegado mandou saber como está o rapaz. Agora aquele homem anda por aí solto só porque é pai do comandante. Isso é discriminação com ele porque ele é filho de pedreiro pobre", desabafou o pai da vítima.
O pedreiro conta ainda que teria sido o idoso preso que provocou seu filho. Segundo ele, o motivo da discussão seria as tatuagens e a reputação do filho, que já foi preso. "Ele tinha ido comprar um negócio no mercado e sentou para tomar umas. O homem chegou e olhou para o menino, que tem uma tatuagem no braço e disse que não gostava de malandro. O menino respondeu e ele disse que malandro entra no facão e já partiu pra cima dele. Meu filho já foi preso há muito tempo e tem até problemas no juízo. Isso não se faz", lamentou o pedreiro.
O delegado Marcelo Dias, explicou ao Cidadeverde.com que para qualquer inquérito é estabelecido o prazo mínimo de dez dias para a conclusão, no caso da soltura do acusado, o prazo passa a ser de trinta dias. "Nós temos trinta dias para ouvir todos e ele pode ter certeza que todos serão ouvidos. Não há privilégios para ninguém, tanto que ele foi autuado e permaneceu preso", pontuou.
(*) Rayldo Pereira
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