Um operador de microcomputador, de 26 anos, relata ter sido agredido por membros de uma organizada do River-PI durante o jogo com o Fortaleza, no estádio Albertão, em Teresina, pela terceira rodada da Copa do Nordeste. O torcedor narra que foi abordado no intervalo da partida enquanto ia ao banheiro no setor das arquibancadas populares, recebeu chutes, socos e ouviu que seria morto. Uma viatura do Rone (Rondas Ostensivas de Natureza Especial) da Polícia Militar do Piauí o levou até o Hospital de Urgência (HUT). Espancado, o jovem teve uma costela fraturada. O caso consta no relatório do delegado de jogo, encaminhado à Confederação Brasileira de Futebol. A torcida organizada citada não foi encontrada para comentar o caso.


A agressão, segundo o operador, aconteceu porque ele estava com uma camisa similar ao do Fortaleza, adversário do Galo na partida. Contudo, o uniforme – de acordo com o torcedor – era do Comercial-PI. No momento do espancamento, o River-PI perdia por 2 a 0.  
- Fui ao banheiro, perto dos 46 minutos do segundo tempo, e cinco torcedores me seguiram. Dois ficaram fazendo guarda e interromperam a passagem de volta, os outros três começaram a me agredir. Cheguei a dizer e mostrar que a camisa não era do Fortaleza, mas sim do Comercial-PI. Todos eles estavam com camisa regata com o símbolo da torcida Esporão do Galo. Eles chutaram na parte da costela e um tentou me dar um soco no rosto, só que consegui fugir do golpe. Eles diziam que iriam me matar: 'Vai morrer', diziam. E bateu um desespero. Algumas pessoas viram, mas não fizeram nada. Não havia nenhum policial na parte de baixo do estádio – conta o torcedor agredido.
Eles diziam que iriam me matar e bateu um desespero (...) Sorte que eles não estavam armados (...) Eles não são torcedores, mas sim animais, bichos (...) Foi uma fúria banal de delinquentes"
Trechos do relato do torcedor que
foi agredido no estádio Albertão, em Teresina 
O operador de microcomputador explica como conseguiu escapar da agressão.
- Me chutaram pelas costas, e eu protegia o meu rosto. Levei muitas pancadas do lado direito. Comecei a correr, mas eles me alcançaram. Até que consegui subir na parte da arquibancada e, com mais gente ali, eles me deixaram de mão. Só por conta disso eles pararam. Sorte que eles não estavam armados. Comecei a passar mal, pensei que tivesse tido uma hemorragia, sai do estádio e encontrei uma viatura da Rone, pedi para me levar urgentemente ao hospital. Eles não pretendiam parar, colocaram para quebrar mesmo  – completa. 
Torcedor relata ter sido agredido por torcida organizada do River-PI (Foto: Arquivo Pessoal)Torcedor diz que agressores confundiram camisa do Comercial-PI com Fortaleza (Foto: Arquivo Pessoal)
Natural de Campo Maior, cidade localizada a 78 km da capital Teresina, o torcedor revela que vai ser difícil retornar ao Albertão. Com a costela fraturada e ainda com marcas no corpo da agressão, o jovem tem que passar mais uma semana de repouso. A paixão de ir ao estádio, de acordo com ele, ficou manchada na noite da agressão dos membros da organizada tricolor.
- Fiquei com trauma agora e tenho que respeitar o meu medo agora. Vou passar duas semanas imobilizado. Bater em uma pessoa por conta de uma camisa é algo tão banal. Eles não são torcedores, mas sim animais, bichos - lamenta o torcedor.  
E ele segue: 
- Sempre prestigiei o futebol. Desde os 15 anos de idade saía de Campo Maior só para assistir jogo em Teresina, quando tinha. Hoje não consigo mexer bem o meu lado direito, nem dormir e até espirrar dói. Nem consigo caminhar. Não posso dizer que não vou voltar mais ao Albertão... Mas como está tão recente, não voltarei mais. Você fica com um trauma, poderia ter morrido em uma situação daquela porque eles falavam que iam me matar. Não sei como reagir quando entrar lá de novo. Fiquei com medo.
River-PI x Fortaleza (Foto: Abdias Bideh/GloboEsporte.com)Duelo entre River-PI e Fortaleza levou mais de 6 mil torcedores ao Albertão (Foto: Abdias Bideh/GloboEsporte.com)
O coronel Jaime de Oliveira, delegado do jogo River-PI x Fortaleza, informou que o torcedor agredido acabou entrando na área destinada à torcida organizada do Galo, que estava isolada por policiais militares. O militar lamentou o caso, considerando-o isolado.  
- Ele foi espancado, isso é triste acontecer no estádio. Sabíamos que poderia acontecer um confronto e certificamos de tudo. As torcidas entraram escoltadas e havia o isolamento. Esse torcedor acabou indo sozinho ao lado da organizada, se infiltrou. Infelizmente, aconteceu. Tem uma parte da torcida Esporão do Galo que é agressiva, bandidos travestidos de torcedores. Já comunicamos à diretoria da torcida para que seja feita uma seleção. Foi esse grupo de má índole que espancou o rapaz – contou Jaime Oliveira.  
Relatório de partida do Albertão mostra agressão a torcedor (Foto: Reprodução)Trecho do relatório da partida que descreve agressão (Foto: Reprodução/CBF)

A violência descrita no relatório encaminhado à CBF, segundo o delegado da partida, pode render punição ao River-PI. A Polícia Militar, de acordo com o oficial, vai manter a tropa de choque para a última partida do Galo no Nordestão, no dia 18 de março, contra o Botafogo-PB. Além disso, reforçar o policiamento.  
- A PM vai um estudo antes da partida, pergunta quantos torcedores da torcida adversária vem ao estádio e elabora o seu plano. O que vai acontecer agora é que os policiais irão detectar e retirar aquele torcedor que esteja fora do lugar definido na separação das organizadas. Infelizmente, um fato isolado aconteceu. Agora, ninguém sabe o que vai render ao River-PI, que pode ser penalizado por violência nas arquibancadas – contou. 
O torcedor agredido, contudo, não vai esquecer a violência dentro do estádio. 
- Foi uma fúria banal de delinquentes. Tenho certeza que as pessoas que me agrediram não foi a primeira vez que fizeram isso. São máfias por trás de torcida que não tem nada a ver com torcedores de verdade. Sai com vida, mas poderia ser bem pior. Poderia ter morrido
(*) Matéria reproduzida do globoesporte.com/piaui
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