Apenas sete pessoas acompanham o cortejo fúnebre de uma das maiores educadoras da historia de Barras, falecida aos 85 anos.
Apenas sete pessoas acompanharam o cortejo para o enterro do corpo da Professora Bobô , que partiu da sua residência até o Cemitério São José, no Bairro Matadouro. A foto acima feita pelo fotógrafo Coqueirinho prova a falta de respeito da sociedade barrense que se criou nos últimos 30 anos para com as personalidades que fazem ou fizeram a história do Município.

Criou-se uma sociedade embalada por farras, festas, orgias, deixando de lado os valores da família, da ética, do respeito e da dignidade humana. Vale quem tem dinheiro ou quem aparenta ter; não quem estuda, quem tem o conhecimento, quem trabalha com dignidade e honestidade para promover seu sustento e da sua família. 

O povo, há o povo! Este é obrigado apenas a contribuir com seus impostos para o enriquecimento ilícito de muitos ratos do poder público, que viveram ou vivem às custas do dinheiro do próprio povo nas últimas três décadas. Para cientificar-se disso caro leitor, faça uma análise própria com o tema "Quem enriqueceu em Barras nos últimos 30 anos".

As agressões recentes à memória e a história não ficam só no abandono ao corpo e a família da Professora Bobô. Neste período de festejos da Padroeira de Barras, quem passa pela Praça Senador Joaquim Pires, em frente a Igreja Matriz, nota a "sentina" feita pela Prefeitura nas calçadas do antigo casarão da Família Barros, construído em 1950, onde morou o primeiro grande comerciante da cidade (Raimundo de Sousa Barros) e a professora Rosa da Cunha Barros (que em 1928 chegou a Barras como a primeira professora formada do Município e fez história no magistério local contribuindo para educação de várias gerações). Uma moradora das proximidades, exclamou a um professor da cidade: "Vejam como tratam a história de nossa terra: esse casarão não representa só uma das mais belas edificações da cidade, mas representa, principalmente, a história da nossa cidade". A moradora fez o comentário ao ver vários banheiros químicos instalados nas calçadas do casarão vendido há quatro anos pelos herdeiros da Família Barros ao engenheiro Francisco Correia Filho.

A agressão à memória do Deputado Pinheiro Machado

Quem passa na Avenida Deputado Pinheiro Machado fica chocado com mais um descaso e agressão ao conhecimento e a história. Recentemente foram colocadas novas placas de identificação de ruas, praças e avenidas da cidade. Entre muitos erros de grafia e nomes nas placas, está o da Avenida Deputado Pinheiro Machado, pois confundiram o nome do ilustre parlamentar com o do poeta barrense Celso Pinheiro! Colocaram na placa de identificação "Avenida Celso Pinheiro Machado" (nem Celso Pinheiro tinha o sobrenome Machado, e nem o deputado Pinheiro Machado tinha o nome Celso!).

A Avenida Deputado Pinheiro Machado teve seu nome assim colocado no logradouro na primeira administração do prefeito José Ribamar Pereira, início da década de 1980. À época a região quase não possuía edificações e era apenas uma extensão da rodovia PI que ligava Barras a Nossa Senhora dos Remédios.  Hoje ela compreende o espaço de cerca de 500 metros que separa a rótula do Terminal Rodoviário Toinho Carvalho da rótula do encontro com a Rua General Thaumaturgo de Azevedo (Balão do Elias).

Biografia do Deputado Pinheiro Machado:


Filho de Pedro Machado de Moraes e Maria de Lourdes Pinheiro Machado. Advogado com Bacharelado em Direito pela Universidade Federal do Piauí em 1959 e graduado em Administração pela Universidade Federal do Ceará em 1968, possui o curso de relações humanas no Instituto Dale Carnegie de Washington tendo sido ainda locutor e noticiarista na época da Segunda Guerra Mundial quando fazia suas transmissões de rádio direto de Nova York. Em Parnaíba foi vice-presidente da Companhia de Força e Luz, diretor da empresa Telefones Norte do Piauí S/A, presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Norte do Piauí, presidente da Rádio Educadora de Parnaíba e da Fundação Educacional de Parnaíba. Conselheiro do Serviço Social do Comércio no Piauí, foi professor titular do curso de Administração da Universidade Federal do Piauí.
Sua estréia na política se deu pela UDN quando foi eleito vereador de Parnaíba chegando à liderança de sua bancada e à presidência da Câmara Municipal. Instituído o bipartidarismo ingressou na ARENA chegando a vice-presidente do diretório regional sendo eleito deputado federal em 1970, 1974 e 1978 alinhando-se ao grupo liderado por Alberto Silva que antagonizava com os partidários de Petrônio Portela pelo controle da sigla no estado, disputa que fazia os referidos líderes alternarem vitórias e derrotas.
Segundo a obra do advogado e jornalista José Lopes dos Santos, o nome de Pinheiro Machado foi cogitado para o cargo de vice-governador do estado em 1974 como companheiro de chapa de Dirceu Arcoverde, ligado a Petrônio, como forma de apaziguar a disputa política supra mencionada, tal como acontecera quatro anos antes quando, para compensar a escolha de seu adversário como governador do Piauí, o grupo de Petrônio Portela indicou o vice-governador na pessoa de Sebastião Leal. Todavia, as negociações não lograram êxito e, assim, Djalma Veloso foi alçado ao posto ao invés de Pinheiro Machado, que tão logo foi extinta a ARENA acompanhou Alberto Silva e ingressou no PP e, a seguir, no PMDB, sendo eleito primeiro suplente de deputado federal em 1982, falecendo menos de uma semana após o pleito vítima de ataque cardíaco. Em seu lugar foi efetivado Heráclito Fortes até o início de 1983, quando foi empossado em seu próprio mandato.

Biografia do Poeta Celso Pinheiro

Nasceu o primoroso poeta, cronista, conferencista e jornalista Celso Pinheiro na cidade de Barras, no norte do Estado do Piauí, em 24 de novembro de 1887, sendo seus genitores o tenente-coronel João José Pinheiro e Raimunda Lina Pinheiro. Pertence a uma família com enorme contribuição às letras piauienses, pois seu pai foi educador em Barras e dois de seus irmãos e um filho foram notáveis escritores com assento na Academia Piauiense de Letras, respectivamente, João Pinheiro, Breno Pinheiro e Celso Pinheiro Filho.

Iniciou as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se, posteriormente para Teresina, Capital do Estado, a fim de prosseguir nos estudos. Estudou no Liceu Piauiense, mas não chegou a concluir o ginásio. Na mocidade foi dado à boemia, participando de muitas serenatas e recitais com outros poetas de seu tempo. E com a perda precoce dos pais, cedo teve de começar a trabalhar para garantir o sustento. Em 1902, ainda no tempo de estudante, ao lado de Arimatéa Tito, ambos alunos do Liceu Piauiense, já redigia o órgão estudantil A idéia. Em 1903, faz parte da redação de A Esperança, também de caráter estudantil. Sucede sua participação em outras folhas jornalísticas: Andorinha, Arrebol, Mensageiro (1904), O Operário (1906), Alvorada (1909), entre outras. Dada a sua atividade intelectual, desde cedo convive com os mais expressivos nomes das letras piauienses.

Em 1906, aos 19 anos de idade, transfere-se para o Rio de Janeiro, em busca de emprego e glória literária. Todavia, não se adaptando ao meio retornou a Teresina, onde volta a atuar na imprensa, ingressa no magistério e inicia sua carreira de modesto servidor público. Em 1914, convola núpcias com Liduína Mendes Frazão, com quem teve cinco filhos: Celso Filho, Edméa, Maria, Wanda e Diva Pinheiro. Em princípio de 1916, fora nomeado pelo governador Miguel Rosa, para a cadeira recém-criada de Literatura da Escola Normal do Piauí, onde passou a trabalhar. Entretanto, por questões políticas, no ano seguinte foi sumariamente demitido pelo sucessor de Miguel Rosa, governador Eurípedes de Aguiar, passando a nutrir ressentimento pelo mesmo.

Nesse tempo(1917), devido a estresse retira-se em demorada vilegiatura pelo sul do Piauí, se demorando por Gilbués e Santa Filomena. De regresso a Teresina, volta ao trabalho e às rodas literárias, principalmente em torno de Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e Abdias Neves. Desse tempo, lembra Cristino Castelo Branco: “Parece-me que vejo ainda lá a figura alta, magra, nervosa, do poeta Celso Pinheiro” (In: Frases e Notas. Rio: 1957). Em dezembro, aos trinta anos de idade, participa da fundação da Academia Piauiense de Letras, tomando assento na cadeira n.º 10.


Posteriormente, para cumprir com suas obrigações de chefe de família, vai acumulando alguns empregos de pouco rendimento: secretário do Liceu Piauiense, escriturário da Chefatura de Polícia e revisor-chefe do jornal O Piauhy. Era um funcionário dedicado, eficiente, correto em todos os seus atos. Testemunha o escritor Bugyja Brito, que com ele conviveu por muitos anos, que “Celso foi sempre um homem honesto, honrado na sua vida pública” (In: Três artífices do verso. Rio de Janeiro: 1991). No exercício daqueles três cargos o encontrou o referido Bugyja Brito, quando o conheceu em agosto de 1926 e passou a ser seu colega de redação no referido jornal. No último emprego, permaneceu até 1928, afastado pelo governador João de Deus Pires Leal, permanecendo nos demais. Também, foi chefe do Instituto de Criminalística.


Informa Bugyja Brito, que Celso Pinheiro, em 1931 teve idéia de mudar-se para São Luiz do Maranhão, em virtude de insatisfação com o Interventor Landry Sales. Felizmente, desistiu da idéia.

Em 1932, sofreu grande abalo com a perda da esposa, com quem viveu dezoito anos de consórcio. Em 1938, sofreu nova amargura com a prisão de seu único filho varão, Celso Pinheiro Filho, acusado de envolvimento em atividades comunistas pelo Tribunal de Segurança Nacional. Em 1946, esse filho assumira a Prefeitura de Teresina, nomeado pelo Interventor Vitorino Freire, sofrendo severas críticas do ex-governador Eurípedes de Aguiar. Esse fato revoltou o poeta Celso Pinheiro que partiu em defesa do filho, passando a revidar os ataques numa contenda apaixonada que alimentou muitas páginas de jornais e até de livros.

Celso Pinheiro dedicou-se às letras desde a mocidade, consagrando-se como um dos maiores poetas do Brasil. Cronista de fôlego, jornalista brilhante, foi, contudo, na poesia que fez o seu nome. Compunha um soneto com uma facilidade nunca vista. É insuperável nesse aspecto, sendo considerado o maior sonetista do Piauí. É representante das escolas simbolista e parnasiana no Piauí. Para Arimathéa Tito Filho, o traço característico do poeta esteve sempre no desencanto, no desalento, na angústia e no pessimismo. Foi cognominado o Poeta do Sofrimento. Estreou em livro com Almas Irmãs (1907), de parceria com Antonio Chaves e Zito Baptista. Em 1912 publica Flor Incógnita, deixando muitos outros trabalhos inéditos, por ele assim organizados: Prosa, 2 volumes – discursos, conferências, crônicas, cartas, artigos de jornal; e poesias, mais de quatro mil sonetos, poemas de outras formas e sátiras políticas, com as seguintes denominações: Cuore, dedicado aos pais, aos irmãos, aos filhos; Dona Tristeza, a companheira permanente das suas angústias; Sombras, para as moças tuberculosas do tempo em que viveu; Dindinha, a babá da meninice; Tear de Sol, 3 volumes, subtitulado Spleem, versos dos sofrimentos íntimos; Poemas de Maio, plenos de religiosidade; Poentes, a suavidade e a beleza dos crepúsculos; Hino à França; Jardim de Mulheres, 2 volumes, enaltecimento às eternas namoradas do homem; No Jardim de Academus, homenagem aos intelectuais do Piauí; Estepes, de vário assunto; Poemas da Morte, penúltimo livro, para o poeta o próprio canto de cisne; Coroa de Espinho, terminado uma semana antes da morte do poeta. De assunto político deixou para publicação: O Incendiário de Teresina, sobre os incêndios criminosos na capital piauiense, no início da década de 40; Demócrito de Sousa Filho, denunciando o assassinato de jovem estudante num comício do Recife, em 1945; Fernando de Noronha, também denunciando a transformação da ilha em presídio político, onde estivera preso o filho; União Democrática Nacional do Piauí, combatendo essa agremiação partidária, vez que militava no PSD; Da Constituição, comentando a carta piauiense de 1947; e, Euripidinas, com sátiras impiedosas a seu adversário Eurípedes de Aguiar. As primeiras obras e parte da poesia produzida a partir de 1912, foi publicada em 1939, pela Academia Piauiense de Letras, com o título Poesias.

Faleceu Celso Pinheiro na cidade de Teresina, em 29 de junho de 1950, mesma data de morte do também poeta Da Costa e Silva.
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