Com Túlio Maravilha (calção 7) no comando, eis o último grande time do Bafo!

Há dez anos, nascia um leão. Na “selva”, o jovem mascote era mais um e dividia atenções com tubarão, galo, rato, raposa e águia. O rugido, apesar da pouca idade, impressionou pela força. Com três anos de fundação, o Barras disputou a Série C do Campeonato Brasileiro de 2007. A campanha, passados sete anos, ainda é a melhor de uma equipe piauiense no torneio: uma sétima colocação entre 64 participantes. O feito até hoje enche os torcedores de orgulho, mas bastam horas em visita a cidade do Leão para perceber o sentimento de perda gradativa de memória. 

O Leão do Marathaoan campeão piauiense de 2008.

Em oito participações na primeira divisão do Campeonato Piauiense, o Barras foi vice-campeão três vezes (2006, 2007 e 2010), conquistou um quarto lugar (2009) e foi campeão em 2008. Nos últimos dois anos, o time caiu de rendimento, com uma campanha que o deixou em sétimo lugar. Em 2014, por exemplo, apesar de ir às semifinais do primeiro turno, o Leão somou cinco vitórias, cinco empates e cinco derrotas. 


"Chico Bigodão", torcedor
fanático do Barras F. C.

Caminhando pelo Estádio Juca Fortes, terra do Leão do Marathaoan, facilmente personagens são encontrados. Eles, claro, guardam as histórias de sucesso do time do coração. Um deles é figura cativa, Francisco de Melo Rodrigues, o "Chico Bigodão". O bigode bem desenhando, no grau, carrega a história de 74 anos do barbeiro e também motorista que possui um salão nas dependências da praça esportiva. 

A felicidade da torcida em 2008. Barras campeão
piauiense

Com pôsteres do time barrense na parede, ao lado de fotos da família, Francisco não esconde a frustração de ter o futebol fora dos padrões de beleza. O ideal, no som baixo de sua resposta, é ver o seu time sempre com vitórias. Ao lado, outro Chico revive a época de glória do Barras. Francisco Vieira, webdesigner, desenvolveu o site do clube quando o time viveu seu melhor período, a campanha da Série C do Campeonato Brasileiro de 2007. De um sonho de um grupo de desportistas da cidade, o Leão contagiou, mas teve seu apogeu enfrentando problemas financeiros.

De torcida fervorosa ao desânimo
com a falta de investimento no esporte,
numa cidade de 46 mil habitantes

-Eu ia ver os jogadores, mas as últimas competições não foram muito bem sucedidas. Assistir ao Barras jogando é um orgulho da nossa cidade, da cultura, ou seja, de quem é apaixonado pelo futebol. Não sei porque estamos assim, era um prazer ver os jogos - narra o fotógrafo. 


Do muro caído, o silêncio do Juca Fortes é quebrado por um barulho de moto. Do veículo, desce Manoel Morais, massagista do clube. Meio ressabiado com a presença de uma reportagem em um período sem futebol, o profissional cede e faz uma constatação: trabalhar no futebol é para quem ama, principalmente com as dificuldades do estado. Integrante da equipe do Barras na Série C de 2007, Manoel passou pelo Flamengo-PI no ano de 95 e compôs o time do 4 de Julho na Copa do Brasil. 

Túlio Maravilha, estrela do futebol nacional, vestiu a camisa do Barras Futebol Club na Copa do Brasil de 2011 com cachê de R$ 17 mil por jogo realizado.
- Trabalhar em uma Série C foi ótimo, oportunidade de crescimento. O primeiro passo do futebol piauiense é subir de divisão porque o Piauí irá aparecer apenas quando um time estiver no auge, exemplo do Barras no Brasileiro de 2007. É preciso profissionalismo não apenas da diretoria, mas também dos jogadores que precisam render – comenta. 

Na despedida do Juca Fortes, após pegar materiais guardados em uma salinha do estádio, Manoel diz:

- Determinação é a palavra.

Saiba mais sobre o Barras Futebol Club acessando as páginas: barrasfutebolclub.futblog.com.brvibeflog.com/barrasfutebolclubvibeflog.com/junioresdobarrasfcvibeflog.com/nucleobarrasaguabrancajunioresdobarrasfc.futblog.com.br (Todas essas páginas na Internet são feitas por Reinaldo Barros Torres, editor do Tribuna de Barras, sem nenhum ônus para a diretoria do Barras F. C.)

Em 2014 o time Sub-17 do Barras participou do Estadual da categoria, graças ao trabalho sem remuneração do supervisor Manoel Cordeiro, técnico Zezé Tiúba, massagista Manoel Morais, preparador físico Arturo Marques e do preparador de goleiros Trombada. Ficou em 5º lugar na competição com 10 clube participantes e usou somente atletas nascidos na cidade de Barras. 


(*) Texto: Emanuelle Madeira, Wenner Tito, Renan Moraes, Abdias Bideh, Josiel Martins, publicado originalmente no globoesporte.com/piauí
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