É cada vez maior a fúria dos brasileiros contra o PT e ao desastroso governo da Presidente Dilma Rousseff, que mesmo assim foi reeleita graças a compra de votos disfarçada que seu governo faz através de programas ditos sociais imitados do governo chavista da Venezuela.
Após as eleições de 1982, toda uma ala esquerda do PT, particularmente em São Paulo, procurou criar um movimento próprio, de cunho classista. Este movimento tinha como centro Diadema, onde o prefeito eleito havia traído sem qualquer cerimônia os filiados com o apoio da direção. Este movimento realizou algumas reuniões com centenas de militantes, mas terminou abortado graças à sabotagem da esquerda centrista, muito particularmente da Democracia Socialista, que hoje está dividida com uma parte dos seus militantes no Psol e outra no Governo Lula.

Entre 1983 e 1985, a classe operária retomou o ascenso iniciado em 1978 com as greves do ABC, somente que, desta vez de uma forma mais ampla e mais geral, de caráter nacional. Em 1985, a classe operária realizou 15 mil greves, no maior movimento grevista de toda a história do País até hoje. Este movimento gigantesco da classe operária não foi canalizado em nenhuma medida pelo “partido que nasceu das greves” no terreno organizativo, sem que nenhum dos teóricos das origens grevistas do PT se surpreendessem minimamente. Nem mesmo eleitoralmente o PT canalizou este movimento, a não ser de forma residual. A maior parte da sua força eleitoral em São Paulo, que foi em todos os momentos o epicentro do movimento grevista, nunca veio dos sindicatos, mas dos movimentos ditos populares, em particular da Zona Leste da cidade. O movimento grevista serviu apenas como trampolim para que os burocratas sindicais, que evitaram chocar-se com um movimento grevista que não apoiaram, chegassem a um posto parlamentar. Se o PT não organizou, nem impulsionou o maior movimento grevista da história do País, teve força suficiente para quebrá-lo através do seu controle férreo dos sindicatos “autônomos” por meio de uma burocracia patronal.

Nos anos que vão de 1983 a 1985, os integrantes de Causa Operária participaram ativamente da luta pela construção da CUT como central operária independente da burguesia.

A crise da ditadura militar colocou em pauta uma completa reorganização dos sindicatos brasileiros, não apenas no sentido da renovação do aparelho dos sindicatos, mas também na quebra do próprio regime político que vigorava desde o Estado Novo e da sua centralização nacional. A maior, mais moderna e mais concentrada classe operária de toda a América Latina desenvolveu-se com uma rapidez extraordinária. As primeiras greves do ABC de 1978 a 1980 quebraram o regime militar; em 1983 era formada a CUT em meio a uma crise sem precedentes do sindicalismo estatal.

Embora o PT não tenha sido um partido operário em nenhum sentido da palavra, não pode haver dúvida de que a sua importância é um reflexo desfigurado das tendências próprias da classe operária à sua centralização política e o mesmo, com muito maior razão, pode-se dizer da CUT.
As greves de 1985 fizeram aflorar, mesmo senão mais que isso, as tendências da classe operária à luta pelo poder do Estado e claras tendências de origem soviéticas (formação de conselhos populares). Exemplo disso foi a formação no interior da CUT de uma oposição classista que chegou a conquistar praticamente 50% dos votos no Congresso do Rio de Janeiro em 1986, ficando muito próxima de ganhar o Congresso Estadual de São Paulo.

Esta foi a principal oposição classista no interior da CUT e foi impulsionada por Causa Operária. Neste momento, de grande ascenso das lutas operárias, o partido passa a ter uma expressiva atuação nos sindicatos operários através da construção de inúmeras oposições classistas contra a burocracia sindical.

A CUT tornou-se o centro organizador das oposições sindicais anti-burocráticas que se transformaram no fator mais decisivo do ascenso operário, embora tenha sido, num primeiro momento, uma iniciativa dominada pelos sindicatos burocráticos que haviam rompido apenas parcialmente com o velho peleguismo, pela pressão revolucionária das massas, expressando o movimento próprio da classe contra todas as variantes de burocracia sindical. As oposições estenderam-se a mais de três mil sindicatos em todo o país formando a base do que hoje são os 3.600 sindicatos filiados à CUT, quase destruindo a própria burocracia lulista.

Foi colocado numa crise terminal o velho peleguismo, naquele momento formado por uma aliança entre o partido da ditadura, o PMDB, o stalinismo (PCB) e uma parte da esquerda pequeno-burguesa intimamente ligada à burguesia (PCdoB, MR-8). Para fazer frente ao ascenso operário e ao crescimento do movimento cutista, o peleguismo construiu a efêmera CGT, que logo se desfez em pedaços, mostrando a sua completa fraqueza.

Diretas e Constituinte

Em 1984, Causa Operária participou da luta pelas "diretas já" procurando apontar um caminho alternativo de luta das massas contra a via que levou o movimento à derrota no Congresso Nacional.

Nas eleições de 1986, a tendência Causa Operária apresentou candidatos a deputados em outros estados: Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Brasília, Paraíba etc. sempre com um programa classista e revolucionário, inclusive para as eleições constituintes. No debate sobre a Constituinte, em oposição às ilusões levantadas pela direção oficial do PT denunciou o caráter antidemocrático da Constituinte e suas manobras para conter a expansão e a evolução política do movimento dos trabalhadores.

Os partidos burgueses no controle do Estado (PMDB-PFL), a burocracia cutista, a esquerda pequeno-burguesa (hoje no Psol e PSTU) e a burocracia pelega tradicional se unificaram em torno desta política contra o ascenso operário e a oposição, em primeiro lugar contra os trotskistas que formavam o núcleo consciente.

Plano Cruzado e liquidação dos sindicatos

Em 1985, o governo Sarney lançou o Plano Cruzado cujo objetivo central era o de quebrar o ascenso grevista. Foi a primeira tentativa de política deflacionária dirigida a estabilizar a economia capitalista e quebrar as pernas dos sindicatos e da classe operária.

Este plano não poderia ser aprovado sem o apoio dos dirigentes petistas e da burocracia sindical que mantiveram negociações antes do plano ser lançado e que o apoiaram explicitamente quando foi lançado. O Plano Cruzado foi um plano de estabilização da inflação através de um enorme confisco salarial da classe operária.

Com o refluxo das greves operárias, o PT lançou-se a quebrar a espinha dorsal da organização operária que era a CUT. A gigantesca corrente de oposição que havia no seu interior, formada basicamente pelas novas direções das oposições operárias que haviam conquistado inúmeros sindicatos nestes anos (apenas em 1985, as oposições cutistas chegaram a conquistar mais de mil sindicatos!) foi derrotada por dentro por um setor da esquerda que atuava no seu interior, a mesma DS. Sobre a base da derrota da oposição classista e do seu acordo com a burocracia, os estatutos da CUT foram modificados em 88, no Congresso de Belo Horizonte, interditando as oposições sindicais, criando os congressos de dois em dois anos e modificando os critérios de representação para dar todo o poder à burocracia sindical. A esquerda, boa parte da qual está hoje no Psol, foi uma das grandes beneficiárias desta modificação, vindo a crescer nos sindicatos dominados pela burocracia e dentro da própria CUT como sócia menor da burocracia contra a qual “lutava” apenas nos Congressos da CUT e convenções cutistas para obter alguns cargos a mais.

Adaptação ao regime burguês

Com a discussão sobre a constituinte, o PT passou a se comprometer cada vez mais ao regime burguês que estava tentando sair da crise da ditadura de maneira que não afetasse em nada o seu poder. O PT apoiou integralmente a proposta de Constituinte da burguesia, que seria convocada pelo Congresso Nacional, repleto de políticos burgueses que apoiaram a ditadura. A política do PT em relação à Constituinte foi uma demonstração de profunda adaptação à política democratizante da burguesia. Essa perspectiva se tornou ainda mais acentuada e mais perigosa para a independência política do partido depois que Lula foi a público declarar que o PT se subordinaria ao regime político saído da Constituinte. Isso significou não apenas a subordinação da classe operária ao regime e ao Estado burguês em geral, ditadura de classe da burguesia sobre as massas exploradas, mas um regime antidemocrático, dominado pelo imperialismo, resultado da Constituinte de Sarney.

A burocracia sindical e a burguesia exploraram, para isso, a falta de maturidade política da oposição classista que se deixou levar pela política de “unidade da CUT”. Sobre esta base, a oposição deixou escapar uma vitória certa no Congresso Estadual de S. Paulo em 1986 e no Congresso Nacional do Rio de Janeiro do mesmo ano. Esta derrota seria decisiva para o destino da CUT e do movimento operário para os anos seguintes.

No Congresso seguinte, em 1988, em Belo Horizonte, a ampla frente burocrática que ia do bloco PT-PCdoB até o PSTU (então, Convergência Socialista) impôs, sobre a base de um consenso prévio, um novo estatuto à CUT liquidando ao mesmo tempo as CUTs regionais e estaduais, as oposições sindicais, os Congressos e restringindo decisivamente a participação dos trabalhadores nos congressos, restringindo a CUT de organização operária de massas em organização de uma ínfima minoria de sindicalizados.

Sobre a base da derrota da classe operária dentro da CUT, formou-se, no ano seguinte, a Força Sindical, consolidando a divisão do movimento operário sobre as cinzas do ascenso grevista e das oposições sindicais. Formou-se um bloco sindical que se mantém até hoje no controle sobre os sindicatos. Deixando claro o papel da esquerda burguesa que possibilitou a derrota deste importante movimento revolucionário.

A derrota da vanguarda revolucionária dentro da CUT favoreceu a ala da burocracia lulista dentro do PT, conseguindo a formação da Frente Brasil Popular, em 1989, ou seja, a aliança do PT com a burguesia nas eleições daquele ano.

Para os sindicatos, por sua vez, a formação da frente popular e a eleição de 89 significou a subordinação decisiva da maior organização operária que já existiu no Brasil e, através dela, de milhões de operários, ao parlamento da ditadura militar reciclado pelos “democratas” burgueses na Constituinte de 88. A partir daí, a CUT se tornaria o maior cabo eleitoral da história do Brasil. Sua função seria eleger políticos corruptos burgueses e pequeno-burgueses que nunca pisaram numa fábrica nem nunca participaram de uma greve.

A verdadeira face da política burguesa do PT

Em 1986 e em 1988, o PT conquistou duas importantes prefeituras, a de Fortaleza, com Maria Luiza Fontenelle e a de S. Paulo, cidade mais importante do País, com Luiza Erundina. Estas duas prefeituras foram a inauguração da política abertamente contra-revolucionária do PT, com perseguições aos trabalhadores municipais, combate às greves operárias e a realização de um governo totalmente voltado para os interesses da grande burguesia. É importante salientar que Maria Luiza Fontenelle foi entusiasticamente recebida pelo PSTU, quando da sua fundação em 1992, momento em que as principais figuras do Psol se encontravam naquele partido, as quais, naturalmente, apoiaram esta decisão.

O penúltimo capítulo deste processo foi o da oficialização da política contra-revolucionária de frente programática com a classe inimiga da classe operária, a burguesia. A formação da Frente Brasil Popular em 1989 com PCdoB e PSB, tendo um elemento da burguesia como vice marcou a vitória política da direção burguesa sobre o partido.

Nas prefeituras, o PT colocou em prática a sua verdadeira política de apoio à burguesia. Em S. Paulo, com o governo de Luiza Erundina, esta política ficou bastante clara como no caso da greve dos condutores.

Em 1991, os trabalhadores de transporte coletivo da cidade de São Paulo decidiram em assembléia geral entrar em greve pela reposição salarial, e pelo pagamento do acordo coletivo realizado um ano antes e que não havia sido cumprido.

Esta foi uma das maiores, se não a maior greve de condutores da história de São Paulo. Em poucos dias de greve, a paralisação era de quase 100% da categoria e afetou mais de sete milhões de paulistanos provando ser realmente uma greve forte e combativa.

A prefeitura de São Paulo sob o comando de Luíza Erundina não atendeu nenhuma reivindicação dos trabalhadores e partiu para cima do movimento reprimindo a greve com a ajuda da Justiça, com ameaças de demissões, fura-greves etc.

Esta greve de condutores foi crucial para que o PT iniciasse uma onda repressiva contra todo o movimento operário. Foi a partir desta greve que dezenas de outras greves foram reprimidas em todo o País.

Assim que a greve teve início, a prefeita Erundina não quis negociar de forma alguma com os condutores e deixou para a Justiça burguesa julgar a legitimidade da greve. O ataque aos trabalhadores foi feito por meio de dois julgamentos que ficaram a cargo do TRT (Tribunal Regional do Trabalho). No primeiro deles, a justiça burguesa obrigou cerca de 30% de toda a categoria voltar ao trabalho. Uma aberração para o movimento operário, pois não faz sentido algum fazer uma greve onde a produção e os serviços continuam funcionando. Mas os trabalhadores passaram completamente por cima da decisão judicial e continuaram a greve ignorando a medida repressiva da justiça. Não satisfeitos, prefeitura e TRT atacaram novamente a greve dos condutores com outro julgamento. Neste, a greve foi considerada abusiva, pois atingia um setor essencial para a população. Um absurdo, visto que mediante este argumento, qual seria a greve que não atingiria um setor essencial? A justiça ainda exigiu que todos os dias parados fossem descontados.

O PT em São Paulo foi além da medida judicial. A própria prefeita, chegou a declarar que iria demitir os trabalhadores em greve e que iria contratar trabalhadores concursados que iriam atuar como fura-greves para impedir a greve dos condutores.

Com esta política que acabou com a greve dos condutores de São Paulo, o PT abriu caminho para uma ofensiva em nível nacional para atacar dezenas de greves e categorias fazendo com que a burguesia durante toda a década de 1990 deixasse o movimento operário completamente refém dos ataques contra os seus direitos.

O ataque do PT à greve dos condutores não ocorreu somente com as medidas judiciais e até de violência que foram implantadas contra os trabalhadores em greve, mas também com argumentos elaborados especialmente para acabar com a greve.

Vale lembrar que naquela época Erundina era assessorada na prefeitura pela “grande filósofa” do PT, Marilena Chauí que elaborou toda uma tese para dar argumentos para que a greve fosse atacada por todos os flancos. Chauí argumentou dizendo que a greve feria o direito do consumidor do transporte de ônibus e dessa forma se tornava automaticamente uma greve “antidemocrática” e “anti-social”, pois os 100 mil condutores em greve seriam uma minoria diante dos mais de sete milhões de usuários de ônibus. Uma tese digna dos “Três Patetas”, pois onde é que uma greve não vai prejudicar o serviço ou a produção ou mesmo qual categoria é maior que o número de consumidores para que a greve não seja abusiva ou antidemocrática? Com esta “filosofia dos direitos”, acabaria o direito de greve ou qualquer direito que se oponha a outro direito da maioria, mesmo que seja insignificante ou sem importância alguma.

Até então, a política burguesa era levada adiante em forma parcial e incompleta, apesar da importância do governo Erundina em S. Paulo. Com a formação de uma frente nacional para disputar o poder político do Estado em conjunto com a burguesia e sobre a base de um programa burguês, ou seja, na sua essência um programa de defesa da propriedade privada contra a classe operária e do Estado burguês, principal garantia da propriedade privada, o PT se integrou por completo à política burguesa.

(*) pco.org.br
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