Em Barras, quem não lembra das professoras Rosinha Barros, Conceição Moraes, Amélia Fernandes. E para quem não lembra a história faz lembrar! Mestras da "chamada linha dura" do ensino na Terra dos Governadores, que através de métodos próprios contribuíram de forma grandiosa para a educação de muitas gerações de barrenses. Era a época da exigência máxima para que a língua portuguesa fosse empregada em todos os seus princípios na arte da escrita e de se compor um texto, daí a cartilha do ABC na alfabetização, o caderno de caligrafia e a gramática eram essenciais. 

E a tabuada? Há... a tabuada! Quem conseguia tê-la "na ponta da língua" era "mestre"! Quem não conseguia ao menos que de forma parcial, existia a "palmatória" para "auxiliar". Sim, os professores batiam nos alunos para que eles aprendessem ou em momentos de... digamos... insubordinação ou falta de compromisso para com os métodos da aprendizagem empregados à época, obedecessem aos seus mestres! Respeitados como os pais, para os estudantes certos professores tinham o status de pai e mãe;  até mesmo na rua, quando algum aluno avistava seu mestre de sala de aula, logo procurava adequar-se aos modos (também de comportamento social) que ele (o professor) ensinava para se estar em público.

Assim também foi a Professora Bobô, a última mestra dessa geração. Ela faleceu na manhã de hoje (29 de Dezembro de 2014), em Barras e em sua própria casa aos 83 anos de idade. Morreu no segundo dia dos festejos da padroeira Nossa Senhora da Conceição! Faleceu feliz e se sentindo honrada, devota que era da Santa e mesmo com a idade avançada e algumas complicações de saúde, era presença ativa na Igreja Matriz. Vai-se o corpo, ficam os ensinamentos para o registro da história. Vá com Deus Professora Bobô, o Céu vai ficar a partir de hoje mais inteligente e mais feliz.

(*) Arte do banner: Ramon Vieira de Carvalho
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