Jornalista Reinaldo Barros Torres,  Jornalista Genu Moraes, advogado Valdeci Cavalcante (presidente do SESC/SENAC) e a escritora Yeda Moraes Sousa Machado (sobrinha de Genu).
O editor do tribunadebarras.com, jornalista e escritor Reinaldo Barros Torres, esteve conversando demoradamente com a jornalista e historiadora Genu Moraes, na Academia Piauiense de Letras. Mulher irreverente, filha do ex-governador do Piauí Eurípedes de Aguiar, fez história na década de 1950.
Com um belo sorriso, simpatia e elegância que ultrapassa as barreiras do tempo, a querida Maria Genovefa de Aguiar Moraes tem muita história pra contar. Conhecida como Genú Moraes, ela nasceu no dia 15 de fevereiro de 1927, em berço de ouro, no auge da cera da carnaúba. Filha de Eurípides Clementino de Aguiar que governou o Piauí de 1916 a 1920 e Maria da Graça Flacão Lopes Aguiar (Gracy Lopes), Genu conta fatos dos anos dourados de sua vida e afirma que o presente é sempre a melhor época.
Voltando ao passado e relembrando aspectos importantes de sua vida Genu Moraes, conta que na infância andou de bicicleta e patins na Praça Pedro II. Aprendeu as primeiras letras em casa com sua mãe Gracy na antiga cartilha do A-B-C, estudou com Maria Dina Soares mestra em letras, depois ingressou no tradicional Colégio das Irmãs, onde as rezas e a rigidez fizeram com que convencesse seu pai que não deveria estudar mais lá. Estudou ainda no grupo Escolar Barão de Gurgueia e no Liceu Piauiense. Fez o último ano, na época conhecido como científico, no Colégio Izabel Hendrix em Belo Horizonte.
JUVENTUDE: FOI UMA DAS PRIMEIRAS MULHERES A DIRIGIR CARRO
Em sua juventude, Genu já mostrava ares de irreverência, adorava sempre acompanhar seu pai em palanques políticos e em conversas com pessoas mais experientes. Quando voltou de Belo Horizonte/MG muitas vezes abria os comícios em nome de seu pai Dr. Eurípedes de Aguiar que as vezes não comparecia devido a problemas de saúde.
Ainda nesta época, já tinha 19 anos quando seu pai lhe presenteou com um lindo automóvel Ford Americano, a sensação no período industrial, o que gerou inúmeros comentários na então emergente cidade, pois Genu foi a primeira mulher a dirigir carro no Piauí. Como sempre independente e irreverente, mostrava-se diferente das outras moças, já que gostava de andar com rapazes, mesmo sendo noiva de João Mendes Olímpio de Melo, ainda assim não mudou seu comportamento o que gerou o rompimento de seu noivado.
Nos flertes da juventude, Genu não gostava de namorar rapazes de sua idade e procurava paquerar com aqueles de cultura, já formados e logicamente, solteiros. Chegou a namorar com cinco ao mesmo tempo, fato que gerava inúmeros comentários, mas ela nem ligava.
À época, namorar em muitas das vezes não passava de flertes, troca de olhares, mas mesmo assim a sociedade punia com comentários maldosos as mulheres que "olhassem" para vários homens. 
CASOU-SE E FOI MORAR EM SÃO LUÍS, NO MARANHÃO
No ano seguinte, em 9 de agosto de 1947 foi para o Rio de Janeiro onde casou com Antonio Moraes Correia, herdeiro da tradicional Moraes S.A., empresa de exportação paraibana que logo se instalou em São Luís -MA.
Em São Luís, fez um leque de amizades nobres, já que juntamente com seu marido fazia parte de clubes sociais como o Rotary. Assim conheceu o jornalista José Pires de Sabóia que lhe convidou para fazer parte do jornal e a bela Genu começou a escrever a coluna "Em Sociedade" no jornal "O Imparcial". Sua coluna tornou uma das mais lidas no Estado do Maranhão.
Um fato que marcou sua carreira foi quando assumiu a presidência do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, sendo a primeira mulher no Brasil a assumir este cargo. Fato que se deu por conta do assassinato de Otelino Nova Alves que denunciou contrabando de café, corajosa e destemida Genu assumiu a presidência e continuou com as denúncias. Além disso, foi Presidente da Associação das Damas de Assistência e proteção à infância- ADAPI.
DE VOLTA AO PIAUÍ
Com a morte do seu irmão, retornou ao Piauí e auxiliou seu pai nas caminhadas políticas pelo estado, sendo destaque na vida política piauiense dos anos  da década de 1950. Foi chefe do cerimonial do Palácio de Karnak, quando eram governadores Alberto Silva e seu sobrinho Francisco de Assis de Moraes Sousa, o Mão Santa. Em 2009 tomou posse da Cadeira de número 9 da Academia Piauiense de Ciências.
Genu Moraes também foi tema do documentário "O Espelho de uma Época", lançado em comemoração aos seus 81 anos. Quando o assunto são os avanços dos costumes de uma cidade provinciana para a Teresina moderna, a jornalista é sempre procurada por estudantes e universitários em busca de informações precisas, já que ela foi um dos nomes mais em evidência no mundo social e protagonizou mudanças substanciais no comportamento das mulheres, nos anos das décadas de 1940 e 1950.
Sua trajetória já é registrada em livro. "Genu, a musa de uma geração", é obra do escritor Heitor Castelo Branco Filho, da Academia Piauiense de Letras. Literatura esta que relembra fatos importantes desta figura emblemática do Piauí na política e na vida social dos anos de 1950.
Genu é presença marcante em grandes acontecimentos culturais e sociais de Teresina e chama atenção assim que chega ao ponto de ser tratada como celebridade. Ainda hoje. 
CASA DE GENU: UM VERDADEIRO MUSEU
Localizada no centro da cidade, próxima a Praça Pedro II, zona nobre de Teresina nas décadas de 1920 a 1970. A residência de Genu Moraes mais parece um museu, quem entra lá sente uma paz de espírito e jamais esquece dos móveis encantadores que decoram a antiga residência do Dr. Eurípedes de Aguiar.
Na casa de Genu pode-se encontrar móveis do seu tempo de criança, cama onde Dr. Eurípedes dormia e seu escritório, piano em que Genu praticava seu talento, porcelanas chinesas e muito mais.

Reações:
 
Top