O Festejo de Nossa Senhora da Conceição em Barras é um novenário que começa com a Procissão dos Fiéis e Levante do Mastro, no dia 28 de novembro e encerra no dia 08 de dezembro, também, com a Procissão dos Fiéis e a Santa Missa.

Um ato religioso da mais alta importância na vida cristã da região norte do Estado do Piauí.

Missas, batizados, confissões, casamentos, novenas e demais liturgias são celebradas na Igreja da Matriz, com a participação de sacerdotes das diversas paróquias de Barras e convidados.

Para uns, uma oportunidade de reflexão e de oração, para outros, tempo festivo de encontros e reencontros entre amigos e familiares. Para a maioria, as intenções se fundem.


Leilões a cada noite centralizam as atenções no entorno da Igreja. Barraquinhas vendem “de um tudo”: árvores de natal com pisca-pisca e imagens cristãs; bijuterias e demais adornos femininos, bonecas e carrinhos de brinquedo dos mais diversos modelos; Batatinha frita, pitombas e seriguelas; comidas tradicionais diversas e outras nem tanto assim e de origem duvidosa.

A tradicional e centenária Banda de Música de Barras, Lira Barrense, tocando as alvoradas e, à tarde, auxiliando o sino, no adro da Igreja, convoca os fiéis para a celebração noturna da liturgia cristã. À noite, a “Bandinha”, como é carinhosamente chamada, anima os tradicionais leilões com repertório variado.


Durante muitas décadas a FAMÍLIA JOÃO CARVALHO (João Carvalho & Dona Maroca) e seus filhos (João Berchmans & Socorro. Bilé & Maria. Geraldo & Maria Augusta. Judite & Dayton. Rosário & Arnaut. Assis & Mirian. Lázaro. Aécio & Bernadete), família cristã barrense das mais tradicionais, tinha a responsabilidade de organizar o início do festejo, desde a escolha e transporte do “mastro” até a procissão e o levante na frente da Igreja. O mastro era revestido por folhas de pati.

Para tal mister existia uma organização rigorosa, cabendo a cada membro da família uma tarefa específica, tais como: seleção da árvore que seria lavrada e originaria o mastro, (na realidade, os fazendeiros ofereciam a árvore como pagamento de promessas por graça alcançada), preparo da comida para alimentar os fiéis durante a caminhada (os fiéis faziam este transporte, também, pagando promessas), desde a fazenda que doou a árvore até o Bairro Boa Vista, compra de foguetes, compra de sandálias e camisetas para os homens do translado e um caminhão de apoio com água e medicamentos.

Não se pode negar da existência de aperitivos (aguardente e cigarro) para espantar o sono, já que a caminhada era realizada durante a noite.

Ainda cabia a Família Carvalho, o preparo do andor de Nossa Senhora da Conceição e a bandeira que encimava o mastro.


Que felicidade: a tradição continua. Salve, Rainha dos Céus! Salve, Estrela da Manhã! Salve, a Padroeira de Barras do Marataoã!

(*) Texto: Monte Filho e Francy Monte, membros da Academia de Letras do Vale do Longá
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