Não é novidade para ninguém que  o Hospital Regional Leônidas Melo, em Barras,  vive uma situação de penúria. Mas falta de investimento não é sinônimo de falta de respeito a história e as personalidades da cidade. 

Os servidores do quase centenário hospital presenciaram a falta de respeito e consideração com um dos maiores médicos da história da medicina do Piauí, o Doutor José do Rego Lages, que foi membro da Academia de Letras do Vale do Longá.

A sala da diretoria do hospital, que recebeu o nome do inesquecível  médico  de grande serviço prestado a Barras durante décadas, foi demolida. O quadro da homenagem a José Lages que ficava numa das paredes da sala, foi jogado em um canto numa área mais parecida um lixão, e encontrado pelo também médico Carlos Monte. 


Dr. José Lages (sentado), já falecido,  ladeado pela esposa e prima Zenaide Rebello Lages (já falecida) e os filhos, no dia da inauguração da sala que recebeu seu nome, no Hospital Leônidas Melo.

O professor universitário, odontólogo e historiador Manoel Monte Filho, imortal da Academia de Letras do Vale do Longá, idealizador da cortesia durante sua passagem pela diretoria do Hospital Leônidas Melo, denunciou o fato nas redes sociais, dizendo:  “Quando estivemos na direção do Hospital Leônidas Melo (já municipalizado – Prefeito Francisco das Chagas Rego Damasceno) prestamos uma significativa homenagem ao médico barrense Dr. José do Rêgo Lages – Dr. Zé Lages. A sala da diretoria foi denominada "Sala Dr. José do Rêgo Lages". Colocamos uma placa comemorativa e uma fotografia. Hoje, lamentavelmente fomos informados que a sala foi demolida e a placa e a fotografia abandonadas num canto qualquer daquele hospital. Um desrespeito pelo homem e pelo grande médico que foi o Dr. Zé Lages. RESPEITEM A HISTÓRIA DA NOSSA TERRA. Postamos a foto no dia da homenagem e a hoje, encontrada pelo médico Carlos Monte.” 

José do Rego Lages como imortal da Academia
de Letras do Vale do Longá em 19/05/1995
O abandono da foto do Dr. José do Rego Lages pela administração do Hospital Leônidas Melo, causou revolta nas redes sociais. A barrense Maria do Socorro Monte lamentou a falta de zelo com a história da cidade. “Eu tenho é nojo destas coisa que acontecem em Barras, há tempos que eu venho falando dos maus tratos das coisa aí em Barras: praças, avenidas, mercados, prédios públicos e outras coisas que fazem parte da história desta querida cidade. Será que o povo que votou nestas pessoas, está vendo estes desmandos? É lamentável estes acontecimentos”, desabafou. Já Joaquim Fernandes de Carvalho, barrense que mora em Belo Horizonte/MG,  também se manifestou sobre o assunto. “Quem não resguarda a importância do passado, não respeitará o presente e muito menos o futuro. Provavelmente quem fez ou ordenou alguém fazer isso, desconheça a biografia desse grande médico e um dos mais ilustres cidadãos barrenses. Pelo visto, nossa querida Barras, num futuro próximo será uma cidade sem referência. Absurdo e lamentável !”  


Professora e Psicóloga Socorro Carvalho, jornalista Reinaldo Barros Torres e Dr. José do Rêgo Lages. Foto feita em 19 de Maio de 1995 na posse de Reinaldo Barros Torres na Cadeira 12 da Academia de Letras do Vale do Longá.

A Barras dos últimos 30 anos desmerece sua gloriosa história. Há cerca de 40 anos e em especial a partir do início da década de 1980, as administrações do Município tem procurado desvincular as pessoas que de fato tem serviço prestado a Barras, em detrimento das que lhes prestam favores políticos. O único prefeito nas últimas décadas que ainda procurou fazer esse resgate da história e preservar alguns valores do passado e do presente, foi o Dr. Joaquim Lucas Furtado.

Galeria de ex-prefeitos de Barras

O Palácio Casa Rosada hoje tem uma galeria dos ex-prefeitos graças ao empenho do dedicado historiador barrense Ramon Vieira de Carvalho (http://www.tribunadebarras.com/2014/05/palacio-casa-rosada-inaugura-galera-de.html) e a sensibilidade do prefeito Edílson Sérvulo em financiar o projeto com recursos da Prefeitura de Barras.

Lucílio de Albuquerque

Um quadro de Lucílio de Albuquerque, famoso artista plástico barrense e brasileiro, de renome internacional, foi roubado do Palácio Casa Rosada no final da administração do prefeito Manim Rego e atualmente, segundo o Tribuna de Barras tomou conhecimento, encontra-se na casa de uma pessoa de família de Barras na cidade do Rio Janeiro. A época foi registado boletim de ocorrência na delegacia de polícia de Barras, mas nossas autoridades nada fizeram. A praça que recebe o nome de Lucílio de Albuquerque em nossa cidade, nem placa de identificação tem e a maioria das pessoas da cidade não sabe nem quem foi o ilustre brasileiro nascido na Terra dos Governadores, tamanha é a falta de investimentos na cultura e na inteligência local nas últimas quatro décadas.

Museu

Um museu em Barras para resguardar parte da nossa história é um sonho de mais de 100 anos dos conterrâneos. Nesse período de tempo muitos prefeitos prometeram a construção do museu. Enquanto isso a história de Barras passa apenas de boca em boca.

Cemitério da Confraria

O famoso Cemitério da Confraria, onde foram enterrados grandes vultos da história de Barras e do próprio Estado do Piauí nascidos nos séculos XIX e XX, foi destruído há pouco mais de 40 anos. Localizava-se na quadra da Rua Manoel da Cunha que fica entre as Ruas Leônidas Melo e São José, mais precisamente no quarteirão onde é hoje o Hawaii Club.

Capoeira de Espinhos

O professor, poeta, escritor, contista, romancista Dílson Lages Monteiro, barrense de nascimento, há dez anos se envolve em pesquisas, escrevendo o romance Capoeira de Espinhos, onde relata todos os desmandos e as agressões vividas por Barras e muita gente humilde da cidade ao longo de 100 anos de história. O renomado escritor e historiador barrense promete lançar a esperada obra no final de  2015. 

(*) Com informações adicionais da jornalista e professora Socorro Carcará, longah.com
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